02- Versos Que Pedem Pra Cantar

EXPLOSÃO DE DESEJO

Será que é loucura
Ou será só paixão
Como explicar essa situação?
É um fogo intenso um fogo que devora
Não escolhe momento chega a qualquer hora
Se apodera da gente o desejo se inflama
Uma química louca uma fúria insana!

Assim é nosso caso
Sem nenhum pudor
É o nosso jeito de viver o amor
Sem culpa sem medo sem hipocrisia
Nos eternizamos nessa poesia
Pois o nosso amor é pura magia.

Somos corpos em brasa
Na mesma missão
Saciar a fome da nossa paixão
Seu olhar declama frases soltas no ar
Somos bichos no cio rio a transbordar
Orvalho refrescante a regar terra em chama
Num rito sagrado que a paixão reclama.




SEU AMOR É FOGO

Seu amor é fogo
Ardente a me queimar
É rosa perfumada com cheiro de luar
Seu amor é fogo
Queimando corpo e mente
É brasa de desejo é fogueira incandescente
Seu amor é fogo...

Você é feito lava sangue de vulcão
Luz doce e transparente
Pro meu coração
Água cristalina que quero beber
Sou amante apaixonado
Sou todinho seu...
Te amo te quero te juro por Deus
Amor a minha vida é pra sempre você

Seu amor é fogo
Que queima sem consumir
Me faz completamente apaixonado por ti
Seu amor é fogo
Em noite enluarada
É sol do meio dia clareando a estrada
Seu amor é fogo...


ME DIZ O QUE FAZ


É amor demais
Amor verdadeiro
Que do teu olhar me faz prisioneiro
Intenso e profundo capaz de fazer-me dizer
Fica comigo...

Me diz o que é que eu faço pra você não ir embora
Me diz o que mudou em nosso amor fale agora
Preciso atender se vou sofrer qual a razão
Não posso simplesmente aceitar e machucar
Meu coração.

É amor demais
Amor verdadeiro
Que do teu olhar me faz prisioneiro
Intenso e profundo capaz de fazer-me dizer
Fica comigo...

Havia tantos planos tanto amor em seu olhar
Seu toque seu sorriso seu corpo a me abrigar
Como quem nada sentiu você vai se afastando
Por isso inconformado eu venho aqui só pra repetir
Amor eu te amo.

É amor demais
Amor verdadeiro
Que do teu olhar me faz prisioneiro
Intenso e profundo capaz de fazer-me dizer
Fica comigo...


AINDA TE AMO

Tentei fingir e mentir pra mim mesmo
Andando a esmo tentava fugir
Não encontrei em outro corpo o desejo
Que me arrasta de volta pra ti.

Quando o amor é um amor verdadeiro
Não se desfaz e nem morre assim
A sua ausência é o meu pesadelo
Não adianta mais mentir pra mim.

Um homem pode até se enganar
Ignorando o seu coração
Porém feliz ele jamais será
Pois sua vida será uma ilusão.

Como dizer que esqueci esse amor
Se a verdade não é bem assim
Como dizer que esqueci esse amor
Se esse amor tem raízes em mim.

Ainda te amo!
Ainda te amo!
Ainda te amo!
Ainda te amo!




LARGADO

Quem vê meu riso rasgado
Não pode imaginar
Que o amor me fez sofrer
Que um dia meu bem querer
Partiu pra não mais voltar.

Eu sou só eu largado nesse sertão
Um riso solto na cara
Saudade é dor que não sara
Mas um sorriso mascara
As dores do coração.

Só me conhece
Que ver meu triste cantar
Meu canto é puro lamento
Pois eu canto sofrimento
De amar quem não sabe amar.

Eu sou só eu largado nesse sertão
Um riso solto na cara
Saudade é dor que não sara
Mas um sorriso mascara
As dores do coração.

Nossos momentos
Embora tenham suas glórias
São folhas secas ao vento
Pétalas nas mãos do tempo
São batalhas sem vitórias.

Eu sou só eu largado nesse sertão
Um riso solto na cara
Saudade é dor que não sara
Mas um sorriso mascara
As dores do coração.



AMOR DE NOVELA


Francamente eu não entendo
Por que tem que ser assim
Você vem como num sonho
E se apossa de mim
Dá prazer e dá carinho
Me faz mil juras de amor
Quando acordo estou sozinho
Tudo é triste tudo é dor.

Amor de novela
Sonho bom que faz chorar
Como o fogo me aquece
Me devora e enlouquece
Mas depois desaparece
Sem dizer se vai voltar.

Francamente eu só queria
Entender qual é a sua
Por que você não me assume
Será esse amor de lua
Quantos quartos quantas fases
Me diz pois quero saber
Vou ser o seu astronauta
Quero conquistar você.

Amor de novela
Sonho bom que faz chorar
Como o fogo me aquece
Me devora e enlouquece
Mas depois desaparece
Sem dizer se vai voltar.



LUA DE PRATA

Lua de prata no céu estampada
Quero contar-te de minha paixão
Esse sentimento virou minha vida
E à mulher querida dei meu coração
O amor era sol clareando meu mundo
Com raios fecundos de felicidade
Ela era eu e eu era ela
Mas tudo acabou só restou saudade.

Lua de prata escutai meu clamor
Me faça um favor me traga meu bem
Eu estou morrendo sofrendo por ela
Mas sei que ela sofre também
Lua seu brilho lembra os olhos dela
E aqui da janela só sei te fitar
Parece que escutas e entende o que eu sinto
Por isso eu te peço faz ela voltar.

Lua de prata no céu estrelado
Sofrendo a saudade só tenho você
Espero não estar te enchendo o saco
Pois meu desabafo me ajuda a viver
Quando a gente ama não sente vergonha
Não nega o que sente não teme chorar
Por isso não nego que meu coração
Sem essa paixão não pode ficar.

Lua de prata escutai meu clamor
Me faça um favor me traga meu bem
Eu estou morrendo sofrendo por ela
Mas sei que ela sofre também
Lua seu brilho lembra os olhos dela
E aqui da janela só sei te fitar
Parece que escutas e entende o que eu sinto
Por isso eu te peço faz ela voltar.



MAMELUCO

mameluco pé rapado sim sinhô
rapaz trabalhador da classe do proletário
mão de obra sem razão e sem direito
Pra me desgastar no eito de algum latifundiário.

resultado da suruba racial
Que se deu no canavial entre a senzala e a casa grande
E desde então pelos dois lados renegado
Vou vivendo margeado em completo abandono.

Por minha origem
Multigene e procedência
Vivo a margem da falência padecendo noite e dia
Sou mameluco genuíno brasileiro
Expatriado em minha pátria colônia do estrangeiro

Em minha terra as mudanças que se deu
No fundo foi só barbada o que a elite promoveu
Abolição independência e a república
Tudo com vestes de luta não passou de acordão.

Que as elites que aqui se instalaram
Teceram e implementaram para não perder seu quinhão.

E o povo pobre pé rapado feito eu
Hoje já não tem senzala oca ou posse pra cuidar
Vive penando sempre esperando em Deus
Vitimado pelos seus que passou pro lado de lá.

Por minha origem
Multigene e procedência
Vivo a margem da falência padecendo noite e dia
Sou mameluco genuíno brasileiro
Expatriado em minha pátria colônia do estrangeiro.


SONHO DESEJO E PAIXÃO

O amor não é racional
Não tem que ser um brinquedo ao alcance da mão
O amor é mais que animal
O amor é transcendental sonho desejo e paixão
Então não queira me impor
Essa história de amor que só contempla você
Não quero te assustar
Mas ou aprende a amar ou você vai me perder.

Quando é amor de verdade o coração reconhece e não se deixa enganar
Se entrega completamente e o acontece com a gente ele estampa no olhar
Quando é só sonho e desejo ou simplesmente paixão
A relação nunca cresce o corpo todo padece
E o coração se prepara pra curtir solidão.

Não quero perder você
Mas me cansei de sofrer não quero mais me enganar
Eu quero amor de verdade
Eu quero a felicidade a gente pode acertar
Então venha me encontrar
Pra gente recomeçar desnude o seu coração
Pois creia nessa verdade
O prêmio para o covarde é sempre a solidão.


QUESTÃO DE FÉ

Era calor de agosto, a terra o sol castigava, a testa suava frio, o coração descompassava
O sol caia na terra, cuma um fogo adevorano de pé e mãos atadas os homi iam se adisisperano
O matuto pai joão simplório cuma ele é, usou as armas que tinha foi apelano pra fé
Alevantou os zoi pro céu se ajoelhano depressa acumpanhado da muié que já vei fazeno promessa.
Quem reza pra santo antoim nunca ficou disvalido memo assim se assucedeu o causo do nosso amigo.


Quando a gente tem fé a reza chega no céu, mas quem num sabe apedir
Apede doce e ganha fel.

Pai João feis uma reza pra vim chuva sertão
mas rezô pa santo antoim santo de sua divução
o sor matô suas prantas na maió judiação
matano os animar e assecano o riberão.

Quando a gente tem fé a reza chega no céu, mas quem num sabe apedir
Apede doce e ganha fel.

Levano água na cumbuca Pai João cum muita fé
foi cumprino a novena voto de sua muié
nove dia caminhano anté incima da serra
pudê moiá o cruzêro e apidi chuva pá terra.

Quando a gente tem fé a reza chega no céu, mas quem num sabe apedir
Apede doce e ganha fel.

A reza de Pai João lá no céu feis confusão
Antoim é casamentero num mexe cum tempo não
Esse negoço de tempo chuva, sor, raí e truvão
Isso é lá departamento do santo Pêdo Simão.

Quando a gente tem fé a reza chega no céu, mas quem num sabe apedir
Apede doce e ganha fel.

Pêdo e Antoim tava im discórdia mode um casóro que se deu
Pêdo num tava di acordo mas Antoim concedeu
Os dois anté batero boca o céu chega iscureceu
Mode causa desse feito a amizade istremeceu.

Quando a gente tem fé a reza chega no céu, mas quem num sabe apedir
Apede doce e ganha fel.

Mais santo Antoim deu um jeito e chuva pru sertão mandô
Pai João de aligria a viola arripicô
Mais são Pêdo adiscubriu e o caso si compricô
Mandõ assopra os vento e a chuva isparramô.

Quando a gente tem fé a reza chega no céu, mas quem num sabe apedir
Apede doce e ganha fel.

Pai João im santo Antoim duma veis perdeu a fé
Anda duvidano di tudo só cridita nu qui
abandonô a novena brigô antémuié
Pai João mudô de santo só reza pá são Tumé.


Quando a gente tem fé a reza chega no céu, mas quem num sabe apedir
Apede doce e ganha fel.




SEDES


O pranto do céu lava a terra
É chuva que cai no sertão
O pranto do céu lava a terra
E a terra produz nosso pão.

Aqui nesse chão brasileiro durante as quatro estações
Sem pele vejo pés descalços cantando lamentações
É o povo boiada estourada rebanho que vai sem pastor
Com os olhos grudados no céu procuram por seu salvador
Mas nada é mais triste que a seca só sabe quem dela provou
É sede de água e de pão justiça de paz e amor.

O pranto do céu lava a terra
É chuva que cai no sertão
O pranto do céu lava a terra
E a terra produz nosso pão.

Só quando o céu se compadece e chora a tristeza do chão
É que o pranto do céu lava a terra e a terra produz nosso pão
Nós somos só homens a esmo deixados na escuridão
Matando a nós mesmos no outro morrendo como um sonho vão
Ai Deus onde tu te escondestes venha por fim na situação
Faz chover paz amor e justiça dentro de cada coração.

O pranto do céu lava a terra
É chuva que cai no sertão
O pranto do céu lava a terra
E a terra produz nosso pão.


NOSSA HISTÓRIA

A vida passa num segundo e não há tempo pra se perder
Que se dane as dores e o ódio desse mundo
O que importa agora sou eu e você
Só eu e você.

Vem vamos nessa o amor espera de porta aberta pra gente se amar
Sinta no ar soprando leve e solto
Em tom profundo a canção do amor
A canção do amor.

Não quero apenas mais uma tranza
Um sonho louco pra me machucar
Eu quero mais que um corpo na cama
Quero uma história pra contar.

A vida passa num segundo e um segundo é o bastante pra nós dois
Eu quero a vida como se fosse um sonho
Por isso eu peço não jogue fora o nosso amor
Não jogue fora o nosso amor.

História bela como a nossa não pode se acabar
Partir assim é dar asas ao medo
Fugir assim é não querer ser feliz
É não querer ser feliz.

Não quero apenas mais uma tranza
Um sonho louco pra me machucar
Eu quero mais que um corpo na cama
Quero uma história pra contar.



SOLIDÃO É CARVÃO

Há tanto sangue na pauta
Há tantos corpos na praça
Há tantos sonhos na mala
Há tantos olhos na caça.

Há tantos corpos tombados
Há tanto sangue gelado
Há tantas mãos estendidas
Buscando achar a saída
Sentido pra vida.

Ah! O que são?
Quem são?
Por que são? Onde vão?
Ah! Meu irmão solidão é carvão
A paixão é razão
É guerreiro bandoleiro
É bandido de taberna
Bagunçando nas terras
Do coração.


Há tanto sangue na pauta
Há tantos corpos na praça
Há tantos sonhos na mala
Há tantos olhos na caça.

Há tantas justas respostas
Há tantos caminhos e portas
Há tantos quês tanto sol
Por que carregas nas costas
A casa o caracol.

Ah! O que são?
Quem são?
Por que são? Onde vão?
Ah! Meu irmão solidão é carvão
A paixão é razão
É guerreiro bandoleiro
É bandido de taberna
Bagunçando nas terras
Do coração.



SABEDORIA DE VOVÔ

Meu Deus esse mundo velho está virado ao avesso
Quanto mais penso na vida mais desejo um recomeço
Quando fico a matutar ah meu Deus é que eu padeço.

Me lembro de meu avô de quando ele dizia
Esse mundo tá perdido tá nas mãos da tirania
Coçando os cabelos brancos com sua mão calejada
Vovô contava história de uma era esperada
Me lembro que ele dizia tudo será bem pior
Hoje as coisas estão difíceis mas ainda tá bem melhor
Hoje se a gente planta ainda pode colher
A nossa é de pouco mas produz o que comer
Nossa água cristalina que vem lá do ribeirão
É leite que mata a sede dos homens e das criação
Ela jorra em abundância em cada palmo de chão
No futuro tudo isso será só recordação
Vovô falava de casa do convívio da família
Do carinho e do respeito que tinha grande valia
Hoje veio se cumprir tudo o que vovô dizia
Vovô era um matuto de grande sabedoria.

Nossa água cristalina que vinha do ribeirão
Virou depósito de lixo rio de poluição
Tornando-se coisa rara ganhou preço e hoje é cara
Tem gente vendendo água e ganhando mais de milhão
A roça virou lavoura e só produz com veneno
Quem planta é só coronel não tem chão para o pequeno
Quem tem um palmo de chão vive grande frustração
Se planta a terra não dá vejam só que maldição
O carinho e o respeito que mantinham a família
Faz tempo caiu na moda não se vê no dia a dia
A família agora dura enquanto dura o prazer
Filho não conhece o pai mãe se vende pra viver
Meu canto causa espanto tem gente a reclamar
Mandando eu calar a boca e da vida eu ir cuidar
Eu canto as coisas do mundo pro meu povo acordar
O mundo virou avesso mas nós pode desvirar.

Meu Deus esse mundo velho está virado ao avesso
Quanto mais penso na vida mais desejo um recomeço
Quando fico a matutar ah meu Deus é que eu padeço.


BRASIL MARGINAL

Eu não sou caubói eu não sou peão não uso calça colada
Não uso bota nem chapéu grande nem fivela prateada
Não monto em touro bravo nem tenho boi na invernada
Não tenho nenhum puro sangue nem caminhonete turbinada.

Não uso marca nem sou galã não mando na mulherada
Nem vendo a mãe natureza por uma moeda furada
Não sou o dono do mundo nem tenho o rei na barriga
Não sou crazy nem beautiful nem mesmo sou bom de briga.

Eu sou só mais um matuto sou só mais um sonhador
Sonho com um mundo justo sonho com um mundo de amor
Eu sou o Brasil marginal vendido como coisa feia
Mas o Brasil brasileiro fervilha nas minhas veias
Eu gosto das coisas simples e da poeira da estrada
Eu gosto de tocar viola em noite enluarada
Eu gosto de tocar viola em noite enluarada.

Eu sou caboclo eu sou caipira minha calça é remendada
Uso botina e chapéu de palha cinto de embira trançada
Meu gado é pouco e pé duro meu cavalo é pangaré
Eu falo tudo errado mas eu sou gente de fé.

Meu rosto é queimado de sol minhas mãos calejadas
Meus filhos barrigudinhos minha velha desdentada
Gosto de tomar uma pinga gosto do cheiro do chão
Gosto de caça e de pesca eu sou o próprio sertão.

Eu sou só mais um matuto sou só mais um sonhador
Sonho com um mundo justo sonho com um mundo de amor
Eu sou o Brasil marginal vendido como coisa feia
Mas o Brasil brasileiro fervilha nas minhas veias
Eu gosto das coisas simples e da poeira da estrada
Eu gosto de tocar viola em noite enluarada
Eu gosto de tocar viola em noite enluarada.


MAOMÉ VAI AO CÉU

Num dias desses em que os dias são normais
De tão normais não trazem nada de anormal
Futilidades brotam da televisão
Insensatez ligo o meu rádio ouço o jornal
É muito sangue sangue demais
E as nações querendo mais.

Num desses dias em que o sol estava morno
Raios amenos de tamanha palidez
Num universo pra lá de transcendental
Aconteceu isso que eu conto pra vocês
Maomé foi a cidade ter um papo com Jesus
Maomé foi a cidade ter um papo com Jesus.

Ele chegou e deslumbrado então ficou
Com a beleza da Jerusalém celeste
Foi acolhido ao som da cítara e da harpa
E revestido de louvor e brancas vestes
Feliz ficou quando se olhou no espelho
Todo de branco parecia um anjo mor
Mas muito triste de sua missão lembrou-se
Queria ter um papo com o salvador.

Jesus lhe recebeu sentado em seu trono
E ao seu lado fez sentar seu nobre irmão
E conversaram sobre samba e futebol
Sexo política e até religião
Foi nesse instante que a prosa pegou fogo
Brotava ali sabedoria sem igual
Os dois falavam com tamanha poesia
Aquilo era um verdadeiro recital.

Disse então Maomé
Onde foi que eu errei
Qual motivo pra tanta desolação
Vejo meu povo se perdendo em agonia
E em meio ao sangue se afogando o alcorão
Qual a razão me dê uma luz
O que fazer diga Jesus
Jesus então falou...

O homem é livre pra escolher o que quer ser
Se quer a vida ou se prefere morrer
Meu Pai Alá foi quem assim determinou
Meu Pai Alá foi quem assim determinou
Lá tem a bíblia o alcorão e as igrejas
Pra cada gosto tem uma religião
Se tudo isso não os pode ajudar
O que fazer só esperar só esperar.

A liberdade é mãe de Deus que é o amor
O amor é tudo mas não pode se impor
Então Maomé o jeito é esperar
E ajudar aqueles que nos procurar
O tempo é curto o dia vai alto vamos lá
O julgamento em breve vai começar
Mas tome um chá pra relaxar
No fim do mundo tudo se esclarecerá.

Aleluia Aleluia
Os dois se abraçam ouvindo os anjos a cantar.



MELODIA DO BREJO


É melodia do brejo foi num foi
É melodia do brejo foi num foi
É cantoria afinada alegria da sapaiada  é cururú sapo boi.

Cai a tarde na vazante lá nos confins do sertão
A natureza em festa é toda celebração
Tem sábia joão de barro pombinha fogo pagô
Juriti e verdadeira seja em que tempo for
Tem a cigarra boêmia passo - preto curió
Pinta silva e a coã que canta de fazer
Gralha papagaio arara bem-te-vi jandaia anu
Cricri de grilo e a festança do cantador cururu.

É melodia do brejo foi num foi
É melodia do brejo foi num foi
É cantoria afinada alegria da sapaiada é cururú sapo boi.

O canto de cada bicho tem suas propriedades
Cada bicho tem um canto cada canto uma mensagem
O canto de cada bicho digo com sinceridade
É canto é língua é poesia carteira de identidade
O cantar da bicharada é o adorno do sertão
Mas cururu também canta por ter no peito paixão
Não canta pra fazer graça sim pra espantar solidão
Pra cortejar dona sapa dona do seu coração.

É melodia do brejo foi num foi
É melodia do brejo foi num foi
É cantoria afinada alegria da sapaiada é cururú sapo boi.



SÃO JOÃO GOIANO

È mês de junho é virada de quinzena
E nossa gente que já tem por tradição
Reúne o povo na igreja da cidade
Para rezar as novenas de São João
São nove dias de festa e de oração
Que tem seu cume em pleno dia 24
Missa festiva leilão pra população
Dança catira e o levantar do mastro.

Feita de palhas de coqueiro a barraquinha
É o salão pra se dançar arrasta pé
Forró puxado no fole do arcodeon
Vai misturando tradição amor e fé
Fogos alvejam o céu em azul profundo
O ar fecundo carrega um quê de paixão
E os corações sobre o efeito desse feito
Não perdem tempo e fazem guerra à solidão.

Quando a fogueira vai acesa a noite brilha
Seu fulgor traz cor e vida ao sertão
Batata assada canjica milho e pamonha
Caipirinha licor vinho e quentão
Chapéu no peito e um instante de silêncio
Cabeça baixa é momento de oração
Homem e mulher que pela fé falam com Deus
E a São João pedem a sua intercessão.

Em cada canto um canto uma brincadeira
Brincar de roda e amarelinha é diversão
É a criançada espalhando alegria
Dando mais vida a noite de São João
Quadrilha bela vira festa em meio a festa
E todos querem dela então participar
É o sertão fazendo festa em oração
E com São João o criador então louvar
É o sertão fazendo festa em oração
E com São João o criador então louvar.




MORRO DE SAUDADE


Eu vou pelas calçadas madrugada a fora
No peito a saudade pisa o coração
Confesso que depois que você foi embora
Eu perdi o juízo e a direção.

Não saio com os amigos pra me divertir
Abandonei num canto o meu violão
A barba continua ainda por fazer
Por que sem ter você meu mundo é solidão.

Meu corpo ainda pede os carinhos teus
A boca busca louca seus beijos de amor
Estou sofrendo muito com o seu adeus
Devolva a minha vida que você levou
Nosso amor é mais que um caso
É sonho bem sonhado amor de verdade
Esqueço os desencontros volte pros meus braços
Pois sem ter você eu morro de saudade.

Um dia sem você amor é um castigo
Até nossa casa sente a falta sua
As plantas do jardim estão de mal comigo
Os pássaros não cantam mais na nossa rua.

O mel tornou-se amargo o sal perdeu o gosto
O vinho sem sabor a rosa sem perfume
Pra onde quer que eu vá eu só vejo o seu rosto
Estou pagando caro pelo meu ciúme.

Meu corpo ainda pede os carinhos teus
A boca busca louca seus beijos de amor
Estou sofrendo muito com o seu adeus
Devolva a minha vida que você levou
Nosso amor é mais que um caso
É sonho bem sonhado amor de verdade
Esqueço os desencontros volte pros meus braços
Pois sem ter você eu morro de saudade.

CANTO DO TRILHEIRO


Trilheiros caminhantes por mil caminhos
Andamos todos juntos
Ninguém anda sozinho
Buscando a harmonia com a natureza
Pra vestir a vida de vida e beleza.

O desconhecido ninguém pode amar
Buscamos conhecer pra valorizar
A terra, a serra, a água, a cultura
A fauna e a flora com suas fulguras.

O ecos é a casa a casa é a mãe terra
O corpo é o ecos que à alma encerra
Zelar pela casa é se reconhecer
Trilhar o caminho aprendendo a viver.


O PAPAGAIO E O RÁDIO

Meu papagaio loro papa num galho torto
Meu papagaio loro canta num radio rouco
Quando ele canta um choro de dar risada eu choro
O rádio rouco ronca o papagaio espanta
Quando o chiado aumenta o radio rouco esquenta
O papagaio loro com o rádio rouco encrenca
Olhando aquilo eu sento de rir já não me agüento

Curupaco papaco
Dá o pé loro
Curupaco papaco
Dá o pé loro
Vai pro seu galho catar piolho.

Meu papagaio loro papa num galho torto
Meu papagaio loro canta num radio rouco
Quando o rádio ronca ele fica de bronca
Meu papagaio loro no rádio perde a fé
Quero seu galho torto veja como é que é
Bicando o rádio rouco meu papagaio loro
Deixa de lado o choro só canta dá o pé.

Curupaco papaco
Dá o pé loro
Curupaco papaco
Dá o pé loro
Vai pro seu galho catar piolho.




FILHA DE UMBANDA

A velha fazendo vela com essência de Lavanda
Perfume de moça bonita descendente de Luanda
Meu amor cosendo renda displicente na varanda
Ornada em laço de fita seus cabelos caem de banda
Ornada em laço de fita seus cabelos caem de banda
Mulata de seis virgens flor de pele divinal
Olhar de estrela cadente lua cheia no quintal
Viola em tom de lamento de negro no cafezal
Viola em tom de lamento de negro no cafezal.

A velha a vela
A bela moça de Luanda
O meu amor é filha de umbanda
Aquela bela
Mãe filha de terreiro
É meu amor mais puro e verdadeiro.

A velha lavando roupa para o trabalho cumprir
Ritual de Mama África qu’inda sobrevive aqui
Meu amor de roupas gastas pouco a pouco a se despir
Ornado em beijos e abraços sou eu a lhe possuir
Ornado em beijos e abraços sou eu a lhe possuir
Mulata que todo seu tem-me desde o primo olhar
Alma que minh’alma ama ama que vive a me amar
Cantiga de negro livre cativo a soluçar
Cantiga de negro livre cativo a soluçar.




UM ZÉ PELADO

Eu sou apenas um homem
Que não sente vergonha de chorar
Menino pequenino que o tempo e o sofrimento
Ensinaram a não desanimar
E assim os meus dias aprendi a contar
E assim os meus dias aprendi a contar.

Viva... Que a vida é fugaz
Passa veloz demais e não se pode voltar
Sonha... Pois sonhando se vive
Lembrando se revive o que ficou pra trás
Ame... Só o amor satisfaz
Acalenta e dá paz e viver é sonhar
Viva... Que viver é cantar
É sorrir e chorar... Aprender a amar.

Eu sou apenas um homem
Que a vida viveu a sonhar
De cara marcada com o pó da estrada
Na longa jornada aprendendo a amar
A pagar o preço que a vida cobrar
A pagar o preço que a vida cobrar.



ETERNO AMOR

Saia da cama e venha ver o sol
Que faz lembrar dos tempos de outrora
Nós dois a sós no templo do amor
Ao som do mar ao ver o tempo se perder
Trocando juras de amor eterno
Amor eterno
Amor eterno
Amor eterno
Olhando nos teus olhos ainda posso ver
As chamas da paixão que nos arrebatou
O brilho desse amor que nos sacramentou
Ao som do coração a se descompassar
O fogo do desejo me queimando e me levando pra você
Pra você
Pra você
Pra você
Enquanto o sol se por meu amor
Não importa onde estejas
Juntos sempre vamos estar
Pra nos amarmos e sempre vermos o sol.




GERUNDIANO

Segue soldado cabeça de vento
Segue seu rumo sem um pensamento
Gerundiano um verbo decorado
Monologando eu semi educado
O culto formal o bonito padrão
Condenam a margem o simples cidadão
De verbo em verbo sempre declinando
No gerúndio mais triste que é o se humilhando.

Gerúndio Geraldo Gerberto Germano
Gertudo Gerana Gerjoão Germaria
Gereu Gervocê Gernóis se acabando
Num mar de indiferença num mar de desenganos.

A escola me forma só pra consumir
Me poda na essência me faz sucumbir
Meu verbo é gerúndio meu pensar é lento
Nós somos soldados cabeça de vento
Vou estar esperando Deus estar intervindo
Ele esteve ensinando amando e servindo
Esperando o momento estar se cumprindo
Vai estar voltando e nos redimindo.


ÚLTIMO DESEJO


Hoje a saudade invadiu meu coração
E fez meu peito alterar o seu compasso
Fechei os olhos e me vi na montaria
Gritando o gado e o dominando com o meu laço
Meus braços velhos e sem a força de outrora
Estão cansados já não podem trabalhar
Mas a saudade do meu tempo de pião
De vez em quando me agarra e faz chorar
Ainda me lembro bem de minha mocidade
Meu pai e eu duzentas rês pra entregar
Chico e Zé torto ajudando no transporte
Eu aprendendo a arte de pastorear.

Não vou dizer que hoje sou um homem triste
Pois sou feliz e tenho amor no coração
Tenho ao meu lado aquela que tanto amo
Que me tirou as amarras da solidão.

Agora vendo o mundo na tarde da vida
Tenho saudade do tempo bom que se foi
Lembro a cantiga do engenho no terreiro
E o lamento do velho carro de boi
A minha alma ainda guarda um desejo
E esse desejo eu quero realizar
Quando enfim chegar o dia da partida
E esse meu corpo ao pó da terra retornar
Quero ir vestindo o meu traje de boiadeiro
Quero a guaiaca o berrante e o punhal
Vestindo assim como o vaqueiro vai pra lida
Ser enterrado na arena do corpo.


DISTANTE

O vento leva longe o seu sorriso
Agora só há tristeza em meu olhar
Lembranças de sonhos que se perderam
Pra nunca mais voltar
Todos os dias são a mesma coisa
Aquela solidão no ar
E a falta de se ter alguém
Alguém que se possa amar.

Você é minha pergunta e resposta
Itinerário do meu coração
É você o corpo que meu corpo gosta
Vem vamos assumir essa paixão.

O vento leva longe o seu sorriso
Agora já não sei o seu olhar
Você que foi meu céu meu paraíso
Agora é meu motivo pra chorar
Todas as noites são a mesma coisa
Meu céu não tem estrelas ou luar
Somente uma chuva de saudade
Que nem o tempo quer fazer parar.


A SAGA DO BRABEIRA

É a peleja eja É a peleja eja
Peleja de Zé Brabeira diabreira cangaceiro pelas trilhas do sertão
É a peleja eja É a peleja eja
Descendo o morro pula rio pula grota
Segue a esmo a sua rota na chapada ou pelo vão.

Cara amarrada cara ruim sanguinário matricida falatório sobe o zumzumzum do povo
É a saga do Brabeira É a saga do Brabeira É a saga do Brabeira
Tempos longínquos feitos de pó da estrada sem lua ou enluarada por tantas encruzilhadas
Fatos nefastos enfeitando a estória que toda gente dá bola mas ninguém pode provar
Dizem que um dia Zé Brabeira prometeu sua alma ele vendeu ao próprio coisa ruim
E desse modo seguiu trilha sanguinária com a sua jagunçada capangas ou coisa assim.

Amor dormido no seio do meretrício de encanto e de feitiço de encontro e confusão
Alguns atestam que foi ele o forasteiro o coisa ruim certeiro o dono da ocasião
Alguns atestam que foi queda de cavalo mas é fato que não falo nunca além do meu rancho
O que se sabe é que Brabeira que foi Zé o que foi já mais não é e assim eu deixo o gancho
E quem quiser quiçá de Zé falar o quê veja lá é bom saber que a estória é mesmo assim
Porque a fala da gente é como um conto quem conta aumenta um ponto
Eu digo isso por mim.





DIVÓRCIOS


Andei sonhando com um mundo melhor
Onde a gente pudesse sorrir
Onde o divórcio fosse uma mentira
E todas as famílias pudessem ser feliz
É muito triste ver tantas famílias
Que se acabam sem explicação
Onde existia um amor bonito
Nasceu a semente da separação.

São pais e mães de corações feridos
Filhos perdidos de sonhos podados
Sofrem sozinhos num silêncio triste
Que os farão pra sempre cidadãos marcados.

Sonhei e vi que depende de mim
Mas sei também que depende de ti
Eu sou criança e sofro esse presente
Matam a semente de um futuro aqui.

Ando sonhando com um mundo melhor
Onde as crianças possam enfim sorrir.

EU SOU ASSIM


Eu tenho meus cabelinhos
Foi este que o Senhor me deu
Você talvez não goste dele
Mas eu gosto muito pois ele sou eu.

Eu gosto desses meus cabelos e deles cuido direitinho
Eu lavo faço penteados estrago o arrumado com muito carinho
Cabelos que não são tratados
São sujos e juntam bichinhos
Piolhos gostam de cabelos que não são tratados pra fazer seu ninho.

Por isso eu tomo meu banho e lavo os meus cabelos
Os trago sempre penteados com muito cuidado amor e carinho.



PRA NÃO DAR BICHINHOS

Após as refeições eu acho tão legal
Eu pego a minha escova e o creme dental
Vou escovar meus dentes
Cuidar de minha boquinha
Porque boca bonita é boca limpinha.

Escova Escova Escova
Escova direitinho
Escova Escova Escova
Pra não dar bichinho.

Não quero ter mal cheiro um bafo de assustar
Pra não matar ninguém quando eu for falar
Por isso escovo os dentes
Cuido de minha boquinha
Porque boca bonita é boca limpinha.

CRIANÇA LIMPINHA

Eu já brinquei eu já corri
Eu já dancei e já sorri
Agora vou tomar meu banho
Pois sei que a sujeira não faz bem pra mim.

Quem gosta de sujeira não pode ser legal
Sujeira traz doenças faz a gente passar mal
Você que anda sujo precisa aprender
Sujeira é muito feia faz a gente adoecer.

Todos os dias são dias de brincar
De estudar sorrir cantar imaginar
Dia de ser feliz com a sua família
Papai mamãe irmão vovô vovó e a titia.

Na hora de banhar é tão feio chorar
Criança educada tem prazer de se cuidar
Banhar todos os dias ter as unhas cortadas
Estar sempre limpinha sujeira não tá com nada.


É HORA DE COMER

Agora vou sentar-me a mesa e vou fazer minha oração
Agradecendo ao papai do céu pela minha refeição
Obrigado papai do céu pelo alimento que vou comer
Que nele tenha tudo que eu precise
Pra ficar bem forte e crescer.

Arroz feijão carne e verdura
Salada feita com muito amor
Vou comer toda a minha refeição
E para as doenças vou ser um terror.

Vou comer toda a minha refeição pois sei que ela me faz muito bem
Depois então vou tomar sorvete vou comer pipoca que é bom também
Adoro bala doce pirulito chocolate e refrigerantes
Mas vou fazer direito as refeições
Pois eu sei que elas são muito importantes.


A TURMA DAS VOGAIS


A turma das vogais saiu pra passear
Se perdeu lá no parque e se pôs a brincar
Se perdeu lá no parque e se pôs a brincar.

Primeiro foi o A que se pôs a gritar
Chamando a letra E que tinha ido as mãos lavar
O I gritava o O o O gritava o U
Então chegou o guarda com orelha de tatu
Então chegou o guarda com orelha de tatu.

O guarda era gago e se pôs a falar
AA E I O U U O I E AAAA
AA E I O U U O I E AAAA.

Nisso a professora juntou toda a turminha
Foram pra escola construir as palavrinhas
Ali todos cantavam e riam sem parar
Lembrando do guardinha com seu jeito de falar.

AA E I O U U O I E AAAA
AA E I O U U O I E AAAA.


NO REVERSO DO TIÃO


Já tirei roça do mato burro chucro eu amansei
Mulher largada do talo talo novo eu lhe botei
A inocência castigada fiz justiça e libertei
Violeiro embrulhão com meus versos dispensei
Língua de sogra encrenqueira pra mais de cem eu cortei.

Brasília de Juscelino Rio Grande de Getulio
Bahia de Rui Barbosa onde está nosso orgulho?
São Paulo Rio Mato Grosso Goiás Espírito Santo
Esse Brasil varonil dimudou-se todo em pranto
E os nossos cabras de peito foram jogados prum canto.

Meu sertão foi desmatado e virou colonião
Me restou só a viola e essa ingrata solidão
Cantando sem alegria esta triste situação
Costurando com saudade minha singela canção
Agora faço meus versos no reverso do Tião.

A cultura mercantil vem ferindo e machucando
Mas o batidão caipira aos trancos vem se agüentando
Segurando a peteca e balançando o chão goiano
Retocando nosso brilho que aos poucos foi desbotando
Do Oiapoque ao Xuí tem viola repicando.


VOU SER FELIZ


Hoje vou fazer o que deveria já estar feito
Vou sair de mim e cavalgando a emoção
Vou brincar de ser feliz ser feliz
Não importa quanto ódio pranto quanta dor
Sei meu mundo só será feliz quando eu mudar
Quando eu mudar
Quando eu mudar
Quando eu mudar...

Nossos sonhos diferentes por demais iguais
Exibe o que somos o que sei que sou
Exibe versos ao avesso revelando o amor
Nossos sonhos diferentes por demais iguais
Não importa o pranto não importa a dor
Vou fazer o que deveria já estar feito
Vou sair de mim e assim serei feliz
E assim serei feliz
E assim serei feliz
E assim serei feliz...




SOMOS TODOS IRMÃOS


O bicho lá do mato é meu irmão
O rio e o riacho são meus irmãos
Os passarinhos são meus irmãos
As matas e os campos também são.

Jogue lixo no lixo e não no chão
Até papel de bala é poluição
O mundo está tão triste meu irmão
Vamos cuidar da vida com mais dedicação.

Pra que desmatamento pra que queimada
Não mate nossos rios meu camarada
A vida está sofrendo injustiçada
Lutemos pela vida ilimitada.

Pare de fazer bombas e armas de guerra
Pare de destruir o planeta terra
Plante uma árvore e cante uma canção
E deixe o amor conduzir seu coração.



O ECO DO GRITO E DO CHORO

O eco do grito e do choro
O cheiro do sangue no chão
O resto do resto do homem
Fazendo do lixo seu pão

Num passe altera se o passo
O tempo nunca se vence
É o homem multi função
Fazendo a sua história.

Um passo em falso do homem
Revela o grande fracasso
O sistema que o homem criou
De servo virou seu carrasco.

Perdidos na insensatez
Com medo de recomeçar
Altivos e escravos do erro
Olhando não quer enxergar
Não me venha falar de Brasil
De China ou de Canadá
É o mundo inteiro sofrendo
Uma chaga que vai nos matar.


CANÇÃO DA DINDINHA


Enquanto o sol se pôr no horizonte
E os rios procurarem pelo mar
Meu coração não perde a esperança
De que um dia irá te encontrar
Jorrando amor meu peito é uma fonte
Que não se cansa nunca de jorrar
Busca você pra conhecer bonança
E assim da solidão se libertar.

Amor ouça esse canto
Que canto pra você
É muito mais que um canto
É nossa história eu e você.

Eu vejo flores que exalam perfumes
Esses perfumes me revelam seu rosto
Meu coração sente você bem perto
Mas quer que o tempo faça tudo a seu gosto
Sei que você também me sente e sabe
Que somos presa da mesma atração
Não tenha pressa e acredite amor
No tempo certo nascerá essa paixão.




CONTRADIÇÕES

Todo homem nasce e cresce
Vive e morre sem saber
O que é mesmo a verdade
No que é que deve crer
Sonhando vive penando
Crendo no que não se vê
A vida de todo homem
É uma contradição
Faz o mal querendo o bem
Não sabe de onde vem
Tampouco pra onde vai
E o que a ciência explica
Não lhe trás sossego não.

Cada tempo sobre a Terra
Tem sua própria verdade
Morre um tempo nasce outro
Assim também acontece
Com nossas loucas verdades.

Todo homem nasce nu
Isso deve ter razão
Mas depois que ele cresce
Se enche de sonhos vão
Faz da vida um tormento
Gastando saúde e tempo
Pra ajuntar seu quinhão
Dos conflitos das verdades
Nascem a desunião
E em nome da vaidade
Fazemos barbaridades
E o que é mesmo a verdade
O homem não sabe não.



SURPRESA DO DESTINO


Veja que o nosso amor se acabou
Como se fosse uma flor que vendo o sol feneceu
Justo nós que sempre fomos um
Tínhamos tanto em comum
O que nos aconteceu?


Minha querida que pena que não deu pro nosso amor...
Coisas da vida surpresas que o destino preparou...

Lembro nossa paixão nascer
Me lembro o nosso querer
E como tudo se perdeu
Hoje posso lhe dizer não houve culpa em você
Também não houve erro meu.

Quando um grande amor não dá certo
Pode aceitar por certo
Que existe força maior
Nosso olhar penumbrado tem um querer tão nublado
Deus sabe o que é bem melhor.


PAIXÃO MARGINAL

Não me queira dizer que não
Que não gosta e nem quer fazer
Que prefere viver fingindo e dissimulando o seu querer
Está escrito em seu olhar qualquer tolo pode ler
Quer você me quer tanto quanto eu quero você.

Não queira pintar de feio
Um sentimento tão bonito
Lute e venha ser feliz
Todo amor é infinito.

Se as palavras te assustam
E o silêncio lhe é mordaz
Não sinta vergonha ou culpa
Sei que você é capaz
Está em ti tudo o que precisas
Basta querer e acreditar
Chega de falsa moral
Quebra o silêncio e vem me amar.


SEGREDOS ETERNOS


Vovó me contou que esta noite sonhou
Sonhou com vovô que há muito partiu
E a história que ela contou que ele contou
É a loucura mais certa que esse mundo já viu
Ele dizia que esta é uma dura verdade
Mas a felicidade é uma dama vulgar
Que ela paira discreta sobre nossas cabeças
Enquanto a gente se acaba sempre a lhe buscar.

Felicidade é assim
Felicidade é assim
Ela se casa com o simples
Atormenta o ingênuo
Ela se deita com o louco
E só faz o que quer.

Ela se vende por sexo por um carinho certo
Um presente um sorriso um pôr do sol uma brisa
Se dá a conta-gotas é uma ninfeta louca
Mas não se vende por grana ou por tesouro qualquer
Ele dizia ainda que ela é a coisa mais linda que alguém inventou
E o mais importante vovô não contou
Pois quando ia contar
O relógio tocou e vovó despertou.

O LOBO E A PRESA


É... Eu não sei pra você
Mas para mim não dá
Coração... Tá tomando juízo
Cansou de correr perigo decidiu que vai parar
Você... Chega de mansinho
Com seu jeitinho leva meu coração
Faz... O bem quer comigo
Depois me abandona nessa solidão.

Não quero mais brincar com fogo
Sei que esse jogo não posso ganhar
Preciso de alguém que me ame
Pois estou cansado de me machucar
Esse nosso caso é sem jeito
Dentro do meu peito mora a incerteza
Estou cansado desse jogo
Onde você é o lobo e eu sou sempre a presa.


BATE NA PALMA DA MÃO


Não escute a solidão
Cuida do seu coração
Bota um sorriso na cara que triste tá feia
Solte o grito da garganta
Canta que o mal se espanta
Bate na palma da mão dance e sapateia.

Bate na palma da mão
Bate na palma da mão
Bate na palma da mão
Dance e sapateia.

Hoje é festa de alegria
Dança forró e catira
Quem não tem par vai caçar que hoje é lua cheia
Pro leviano isso eu digo
A solidão é castigo
Pé de pano sai pra lá
Tire a mão da peía que a mula é alheia.


ABRA A GARGANTA E CANTA


Num canto eu cantava um canto qualquer
Um canto que canta a força da fé
Um canto que canta o amor e o perdão
Um canto que fala de paz e união.

O mal se espanta quando a gente canta
A vida floresce e aquece a garganta
O som contagia o amor se levanta
Não importa o canto abra a boca e canta.

Num canto eu cantava um canto profundo
O mais belo canto que existe no mundo
Um canto que canta o abraço e o sorriso
Um canto que canta o valor de um amigo.

Num canto eu cantava um canto bonito
E você chegava cantando o infinito
Sorrindo cantava olhando o salão
Chegou junto a mim e me deu a mão.


FAMÍLIA HUMANA


A criançada espalhada no terreiro
Vai celebrando a beleza de brincar
Vai celebrando a amizade mais sincera
De quem mais sabe conjugar o verbo amar.

Que bom seria se a vida toda fosse
A mais singela brincadeira de criança
Se a morte a guerra a fome a dor e a miséria
Não fosse mais que uma distante lembrança
A humanidade espalhada no terreiro
Sem cor ou raça credo gueto ou posição
Como família unida celebrando a vida
Cantando a paz juntos na mesma canção
Sem guerra e arma sem peleja e sem partido
Sendo inteiro sempre repartindo o pão
Na grande roda todos os seres humanos
Com a natureza se amando e dando as mãos.


SIMPLESMENTE ASSIM


Você e eu Eu e você
Num só querer num mesmo olhar
A emoção fluindo o amor sorrindo paixão no ar
Teu corpo nu sobre os lençóis e o céu pra nós se faz cantar
É o encontro de dois corpos que se querem.


No aconchego do teu abraço
Eu me encontro me entrego e pronto
É só sonhar deixar rolar amar e amar
Feito céu e mar sol e calor
Você e eu num mesmo amor
Na certeza que o amor nos faz ser mais.


Nós somos assim simplesmente assim
Nosso querer é assim do começo ao fim
Poesia que o amor possuí em si.


DEIXA


Deixa...
Meus olhos sobre os seus seu corpo sobre o meu
Esqueça a palavra adeus... Deixa
Deixa...
Minha mão em sua mão dois em um só coração
Na loucura da paixão... Deixa
Deixa...
Sua boca em minha boca gosto de você tão louca
Uma vida é tão pouca... Deixa
Deixa...
Esse amor acontecer o meu sonho não morrer
Ser pra sempre eu e você... Deixa


Deixa eu sonhar com você
Deixa eu te amar sem sofrer
Deixa o final pra depois
O amor acredita em nós dois
O amor acredita em nós dois
Deixa... Deixa... Deixa...

HINO A SÃO JOÃO D’ ALIANÇA


A aurora vem surgindo anunciando o sol
Inaugurando o dia no planalto central
No seio da nação bem aos pés da chapada
Profícuas terras vão cidade bela ser chamada

Pelo córrego perene da capetinga banhada
Rica em olhos d’água fauna e flora abençoada
Tiveras por mãe o Forte que em filho convertera
Uma vez vislumbrada segue intrépida e faceira

Oh São João! Ou capetinga! Teus olhos d’águas traz consigo histórias lindas

Teu lábaro ostenta o vigor que encerras
Os frutos que abundantes enaltecem as tuas terras
A São João Batista foras tu consagrada
Profeta do Altíssimo eis aqui tua morada

Oh chão excelso terra simplória com amor e paz dia após dia escrevendo sua história

Oh São João d ‘ Aliança tu és de singela estirpe celeiro da esperança

Seus patriarcas foram homens de labor honrado
Firmando aliança no império do cerrado
Plantando em teu solo todos os sonhos seus
Dentro do peito trazendo esperança e fé em Deus

Teus filhos são promessa tesouros em tuas mãos
Sangue em tuas veias vida em teu coração
Haverão de lutar pra ver a sua glória
Seu nome será grande eternizado na história

Oh São João! Ou capetinga!
Teus olhos d’águas traz consigo histórias lindas

Conclamada a justiça a paz e a liberdade
Princípios que a fará pequena grande em verdade
Esplendorosamente então fulgurarás
Revestida de glórias para o mundo fascinar

Oh chão excelso terra simplória
Com amor e paz dia após dia escrevendo sua história

Oh São João d ‘ Aliança tu és de singela estirpe celeiro da esperança.


BRINCAR DE RODA

Vem comigo pra roda vamos juntos brincar
Pois cantiga de roda faz a gente sonhar
Se entregue a canção que ecoa no ar
Vem na palma da mão deixa o som te levar.


Vem brincar de roda menina
Menino chega pra cá
Escute o som da viola
Sinta essa força no ar
Derrube as amarras que o tempo
Cuidou de te colocar
Viva a vida ao sabor da canção
Depressa vem ser meu par.

Vem comigo pra roda deixa a vida rodar
Pois a vida a si toca e sabe a onde chegar
Gire de um lado pro outro balance sem parar
Deixa a sua criança outra vez aflorar.




ESPERANTIVO

sinhá sinhá sinhá sinhá...
... num briga sinhá me deixa eu cantá...


Esse canto é o pranto de quem não sabe chorá
é remeidio pr’essa que num cessa de pisá
canto pruquê pagão num aprendi a rezá
cativo nesse corpo mas livre no pensá.


Ah! Eu fiio de santo mode quê tanto pená
Se São João é meu padim num posso adisisperá
Minha mãe já mi contô que’le vai mi ajudá
Quarqué dia ele avortamode mi batizá.


Pareci qui o bicho homi disaprendeu a amá
Seu coração virô pedra toca modi o mal morá
A fuguêra quema a terra pro sertão alumiá
A isperança tamen quema peito que vevi a sonhá.


Eu um mundo de raça que vevi a si amisturá
Minha força é o meu canto que vai mi arressuscitá
Morro com a tarde no horizonte banhado por teu chorá
Me arressucito com o sol quando o tambô intuá.

CRIAÇÕES

Bebo e vai pra cabeça mas as pernas que amolecem
O juízo fica fraco as vistas se escurecem
A língua fica enrolada falando o que não conhece
Fico leve feito pena tristeza desaparece.

Eu bebo porque é liquido
Se fosse sólido eu comia
Eu bebo quando estou triste
Pra poder ter alegria
E bebo quando estou alegre
Pra conter a euforia.

Dizem que bêbado é chato e que tem sempre razão
Que fica conversador e caçador de confusão
Eu bebo minhas cachaças mas não fico bêbado não
Só não entendo porque piso mais alto que o chão.

Se beber fosse pecado nosso Senhor não bebia
Deus do céu criou a cana o homem a destilaria
Quem criou a rapariga não sabia o que fazia
O cão criou o boteco que é a nossa alegria.


A ORAÇÃO DO CACHACEIRO


A Deus do céu eu quero agradecer pela cachaça de cada dia
Por ter criado a cana de açúcar e dado ao homem a destilaria
Por ensinar a forjar da cana o doce mel que adoça a vida
E o santo álcool das desgraças nossas esse alívio pras dores da lida.

Qual é o homem que nunca provou a cachacinha que sapeca a goela
Se não bebeu a cachaça purinha
Bebeu qualquer um dos derivados dela
Licor conhaque vodka cerveja vinho ou ponche ou mesmo quentão
Quem não tomou provou ao menos do cheiro
Pra comungar desta dádiva do chão.

Por ser do chão ao chão ela volta
E quem é dela com ela também vai
Alguns de nós tem uma história torta
Por ter tomado dela demais.

Mas Deus do céu proteja o lambiqueiro
Este homem certo pai de filha amada
Enquanto houver vida pra eu viver
Quero levar uma vida molhada.

Não nos deixai faltar a cachacinha
Se for faltar melhor faltar o pão
Porque a gente agüenta passar fome
Mas passar sede o homem não agüenta não.



VIDA CABOCLA

A labuta do caboclo é a roça para cultivar
É derrubada de mato o pasto para roçar
É antes do sol se por os bichos para tratar
Panhar lenha e picar fumo pra garantir seu pitar
Panhar lenha e picar fumo pra garantir seu pitar.


A tristeza do caboclo é ver a chuva faltar
É ver um ente querido partir pra não mais voltar
Deitar a cabeça no rancho sem sono pra cochilar
É ver as coisas minguando sem poder remediar
É ver as coisas minguando sem poder remediar.


Sonho de qualquer caboclo é poder se enraizar
Ter seu pedaço de chão com ele se sustentar
É cachaça e pescaria na hora que lhe agradar
É a morte bem longe dele pra vida poder gozar
É a morte bem longe dele pra vida poder gozar.


A alegria de caboclo é a caboclacarinhar
É ver os filhos crescendo no aconchego do seu lar
Sertão em noite estrelada banhado pelo luar
É seu amor pela terra viola pra pontilhar
É seu amor pela terra viola pra pontilhar.



SAUDADE CAMPEÃ

No rodeio da solidão meu coração é boi cansado
Sofre nas mãos do pião mais que suvaco de aleijado
Quando mais ele esperneia buscando por liberdade
A saudade arrocha a xincha sem dó e nem piedade

No rodeio da solidão a saudade não faz feio
No lombo do coração quebra o caboclo no meio
O pobre padece e chora nada parece dar jeito
Pra derrubar a saudade só cachaça com limão
Uma gelada na mão e um novo amor dentro do peito

Eu prometi pra mim mesmo vou poupar meu coração
Não vou fazer dele arena pra festa da solidão
Basta ver mulher bonita e a promessa cai no chão
Um olhar e um sorriso eu fico louco de paixão.


CANTADA DE MATUTO

com cré e cré com mulanbo véi e munturo
Sapato véi e pé duente
Aprienção e futuro.

Tudo na vida tem par
Ninguém nasce pá sê sozinho
demorô mais incontrei
um amô no meu caminho.

Minina casa cumigo
Eu sei que num bacana
Mais tenho minha chopana
Um celeiro cum fartura
Rapadura e mel de cana
Já comprei um lampião
Tenho dois cavalos bão
E um cochão pra nossa cama.

Ela é rica e eu pobre
Ela possui mil amores
Eu só um colibri
Amando a mãe das fulores.

Mais agora dicidi
Meu amor vou declará
Vou abrir meu coração
E ela vai me escutar.

Vou fazer minha proposta
E se a sorte me ajudar
Paroano eu e ela
Vâmo subir no altar

insaiei um versinho
Pra falá tudo que’u sinto
Vou dizê só a verdade
Eu matuto e não minto.



SIRIEMA

Si, si, si, si, si... siriema como é lindo o seu cantar...
Si, si, si, si, si... siriema como é lindo o seu cantar...


Seu canto é acalanto que faz a mente voar
Trazendo as lembranças de um tempo
Que não poderá mais voltar
Seu canto me fala do campo
Da vida da mãe natureza
Do meu cerrado adorado
Transbordando de tanta beleza.


Seu canto é banho de rio
Eco solto na ribanceira
É trilha no meio do mato
É banho de cachoeira
Seu canto oh siriema
É a alma desse chão
Melodia que sufoca
Meu peito de tanta emoção.