terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mor…Gana

 

Mor…Gana, me engana, me esgana

Mor…Gana, sacana, sem grana

Mor…Gana, me chama, me inflama

Mor…Gana, bacana, na cama

Mor… Gana,Me banha, na xana

Mor…Gana, se derrama, se faz lama

Mor…Gana, se faz lama, emana, aprisiona

Mor…Gana, gana, grana, xana

Inflama, sacana, bacana, me engana

me engana, me engana… Mor…Gana!!!

domingo, 28 de novembro de 2010

LINGÜÍSTICA

A HISTÓRIA QUENTE E A HISTÓRIA FRIA, A FORÇA DO PRESENTE EM DETERMINAR O PASSADO E COMO A LINGUAGEM TRANSFORMA A FORMA DA MENSAGEM MAS NÃO DEFORMA O CONTEÚDO.

VERSÃO FORMAL

Quando nos propomos a pesquisar,
A falar, a escrever, a narrar,
Procuramos sempre algo para contar.
Dizem os experts, os mais competentes,
Que tem fala mais fraca e mais falha,
Aquele que fala, da história quente.
Quanto mais distante do seu objeto,
Do acontecido, do fato pesquisado,
Mais chances têm o historiador,
De narrar melhor, o recorte estudado.
Pois, quanto mais distante no tempo,
Mais se torna fácil de ser interpretado,
Mas, o objeto a ser estudado,
Nunca se elege de modo casual,
A subjetividade de um jeito camuflado,
Sempre participa e influi ao final.
A pergunta de sempre, insiste,
Sempre ecoando dentro da memória,
O que é e pra que serve essa tal história?
É nesse momento que se pode ver,
A voz da teoria dando o seu saber,
Orientando a gente, dizendo como fazer,
Dando a resposta conforme proceder.
A história é a reconstrução,
Narrativa, conceitual e documental,
Em um tempo presente em questão,
Da assimetria, entre passado e futuro,
Gerando a idéia de temporalização.
Pois já escreveram antes e não estava errado,
Quem domina o presente, domina o passado,
Assim, ontem e hoje estão sempre mudando,
Salvo as nossas memórias, que estão ali, sempre regulando.
Schaff já nos dizia,
Ontem é noite e hoje é dia.
Koselleck insistiria,
Com arranjo em sintonia.
Nada está determinado,
Pronto, feito e acabado.
O vivido agora presente,
É o agente relevante,
Com suas pressões e nuances,
Reconstrói constantemente...
Assim, para ilustrar e então facilitar,
Para que todos os ouvintes,
Possam então sintetizar,
Um exemplo bem romântico,
Desse ensino já semântico,
Pra vocês nós vamos dar...
João amou tanto a Maria,
Que o traiu na covardia.
Ele ficou tão magoado,
Que jurou não mais amar.
Mas o dia acabou, sendo presa do passado,
E veio então o João,
A bela Ana encontrar.
Apaixonou-se por Ana,
Como jamais pode pensar,
E a força do presente, veio o passado mudar.
Maria que era tudo,
Veio logo a desbotar,
Ana, novo amor presente,
Fez tudo se transformar,
E o futuro solitário,
De João celibatário, padre prestes a se tornar,
Converteu-se em lar e filhos.
Pois João esqueceu Maria,
Em com Ana certo dia, veio ele a se casar!
Desse modo fica dito,
De modo bem veemente,
O que Koselleck disse,
Faz sentido francamente!
Tem domínio do passado, que domina o presente.

VERSÃO MARGINAL

A parada é o seguinte mano, tá ligado truta!
Quando os truta tá a fim de mandar uma ideia velho, a gente manda na moral, tá sacano! E a ideia vai na moral, do jeito que a rapaziada tá afim.
Pô, tirando os meganhas aí, que fica criando problema e regulando a parada, os truta contam a parada do jeito deles, mandam a fita na responsa, e deixa a chapa esquentar. Que nóis é nóis, na treta!
O passado é passado, e o presente é agora irmão, tá sacando a parada!
Quem manda na parada é quem tem o ferro e os mano com ele, tá ligado!?Quem domina a para é que decide a coisa!!!
Então velho foda-se o que foi o passado, o passado agora é o que do jeito que a gente disser que é, tá entendendo? O lugar de fala é nosso, a treta tem a cara de quem tá na mandando no esquema.
Por que mano, caralho! Tá ligado! Quem manda nessa porra é nóis cara, é nóis... Por que agora, é nóis na fita, é nóis na fita!!!
Quando for outro maluco aí oh, quando for ostros bacanas mandando na parada, aí o passado vai ser do jeito deles, mas agora o passado é nóis que determina truta, é nóis na fita aí, tá sacano malandragem??? Nóis manda a idéia e ela é lei, é a verdade!!! O resto é balela, é treta sem responsa!!!
Não sei se eu fui claro, mas a treta é a seguinte o que hoje tá rolando meu brother... É que vai dizer como foi o que já rolou,
Neguinho que já danço, não vai contar nada mais não tá ligado!o esquema agora é do jeito que a gente mandá a fita...
Saca só... O truta tava pegando a cachorra ela aprontou com ele,
Aí a Casa caiu brother, ele queria até se mandar da parada...
Mas aí rolou o frevo e ele conheceu a tchutchuca lá velho, e ficou de boa!
Tá com ela na moral e tem até filho já!
Se ele fosse ficar de bobêra aí, por que a chapa esquentou pro lado dele, tinha feito bestêra, mas não, o hoje é um novo dia e arruma tudo velho, põem tudo na ordem, tá ligado?!
È por isso que eu digo que os trutas lá, o maluco do koselleck e o maluco do Schaff, é um brother que manja da treta mesmo velho... Caralho meu, porra velho, o muleque manja muito, e tava certo o tempo todo, quem manda na parada é que diz, como é, e como não é.

VERSÃO CAIPIRA

Imbão, conde a gente conta um causo desse, ô tá quereno sabe cum é que sucedeu essa trenhera tudo! O jeito é apricurásaber dereitim pus antigo, pessa gente que cunheceu Cuma foi di primêro, pamode num passar vergonha contano causo que num é de vera. O povo tem um ditado bãozim, que ante gosto pur demais de tá usano ele, que é o ditado de que, quem conta um causo armenta uma tiage, mais a gente tem que tê cartela mode num sai inventano coisa e pono chifre na cabeça de cavalo. Que o que conteceu, cunteceu e todo mundo sabe sõ cê inventa e amudifica a história adispois ancê pode ante arrumá marquerença e fica de mintiroso e é fama ruim é a de mintiroso!!!
Mais nesse causo é tronquilo demais pámode a gente cunversá pur que todo mundo sabe num é?! Já que assucede de sê cois fáci de prusiá! Meu cumpadi scharff, que amorava num sitiozim aquim perto, a uma distança de légua, oh légua e meia, adispois do curguim da água roxa, e ele é cabra duma inteligença pai d’égua, e sempre acontava isso, que ele era homi istudado e sabia coisa do arco da veia, imbom, ele sempre dizia que quem tem império é que dicide Cuma é, e Cuma num é as coisas. E veja bem ocêis, Cuma é, se ieu que num sô nada cumeço acontá histótria aí, que num tem mutia coisa cum a vedade, imbão é logo o povo me põem de mintiroso. E mais... Cuma eu matuto dos gerais vô puder debatê cum dontô formado, que fala num sei contas língua, cuma é o cumpadi scharff? E o cumpadi kusellé? Num dá, só se eu tive ficano besta... heheheheh!
Mais o certo é que a pessoa que tem cunhicimento, é formado, é que sabe falar e pisquisá as coisa e sabe determiná cuma é e cuma num é, Cuma foi, e cuma num foi... nóis memo só acumpanha.
Seu joãozim da rua de baixo, ele se inrroscô cum mariazinha fiia de Zé pesão e ela infeitõ a cabeça do homem, abotô um par de guampas no coitado e ele ficô todo discabiciado, sem sabê o que fazê da vida. Vi falá que tava anté quereno avirá padre, pá mode se dedicá as coisa do céu, já cá dizilusão dele foi grande demais. Mais adispois, parece quéle quetô, ele acunheceu Aninha de Chico torto, aí prús lado das bucainas, e fico todo ainfruido! Ela moça jove, toda fogosa, achô ele quereno e conde dois qué é só relá e sartá faísca... hehehe... E os dois se ajeitáro, agora o home tá aí todo sussegado e chei de fiio. Agente num pode se apegá nas coisas não, pur que tem hora que parece que o chão some de dibaxo dos pé da gente e ocê acha que o mundo cabo aí dá uma brisa e refresca, o sol adeita e alevanta denovo e o trem dimuda de tudo. Ansim também é cum esses causo, essas história, depende de quen conta, pra quê que conta e Cuma conta...É isso!!!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

CONTO: O DOUTOR, vidas que se cruzam.

Bom, tudo começou tão sorrateiramente, tão inusitadamente que até parece montagem literária! O dia era comum, sem qualquer pretensão de especialidade, aliás, muito pelo contrário, uma rotina tão comum que chegava a beira do enfadonhismo. Mas a viagem estava marcada era caso de saúde e não dava pra esperar, a agenda havia sido feita previamente e todos os detalhes do qual dependia a viagem estava dentro do limite da precaução e da providência, administrativamente elaborado, disposto, encaminhado. Bom, afinal Nina é uma acadêmica em reta final de graduação no curso de administração na UFG (Universidade Federal de Goiás)!
Bem, pormenores e necessidades pessoais providenciadas documentos e demais assessórios em mãos o veiculo de transporte já colocado na frente da garagem e devidamente abastecido, aguardava apenas o desenrolar final para proceder à viagem até a cidade de formosa onde estava marcada a consulta.
Chegaram por volta das nove da manhã, o estacionamento estava cheio, o que sintomizava alguma espera, mas o dia estava todo determinado para essa finalidade, qualquer espera que se procedesse seria mero ingrediente de intensificação das atividades já previstas!
Na sala de recepção fizeram o credenciamento burocrático e se encaminharam a ante-sala de atendimento do consultório do doutor Gustavo. Ali as previsões de longa espera e cansaço não se confirmaram, havia poucas pessoas para o Doutor Gustavo atender, duas jovens e um homem de meia idade estavam à frente, ou seja, esperariam apenas por três atendimentos até que chegasse a vez da Tati a paciente em questão. Mas o fato é que a ordem de chegada pouco poderia intervir na ordem de atendimento, já que tudo é previamente agendado.
As horas voam, mesmo que às vezes tenhamos a impressão de que o tempo estagnou e se recusa a continuar o seu trânsito. Naquela salinha, Nina e Tati conversam disfarçando a ansiedade da espera, e no seio da falas das duas está a figura do doutor Gustavo, sim o objeto do diálogo é o jovem e belo doutor.
Ambas concordam quanto à beleza e jovialidade do médico, que encanta as duas jovens. A conversa se adensa e o tempo passa de repente o anuncio de que chegou a vez de Tati ser atendida. Nesse ínterim a porta se abre e Tati entra, ela passa e o olhar do doutor Gustavo, por um breve fragmento de segundo encontrou o olhar de Nina que naquela saleta o espreitava com olhar devoto de quem se debruça sobre a perfeição a contemplar suas minúcias. Assim estava ela, que nesse breve fragmento de segundo encontrou o seu ápice num revestir-se de eterno quando recebeu a reciprocidade do doutor a apreciá-la firme e insistentemente, ainda que no fortuito e eterno fragmento cronológico.
Foi rápido, tão rápido que se confirma dicotômico, pois eternizou nas retinas brilhantes de Nina, o olhar inesquecível do doutor Gustavo, que lhe apreciava sem nenhum pudor ou determinação de cautela ou disfarce, ele foi contundente e agressivo, faminto e persuasivo, foi de uma eficiência que ninguém jamais poderia imaginar que tão breve fragmento de segundo, tão intensa e efêmera olhadela gestaria ali num passe de mágica uma atração cinematográfica, uma paixão romancesca, um desejo carnal, intenso e devaneador, poético e ébrio, luxurioso e atrevido...
Nina nunca mais seria a mesma após a aquele encontro retínico, aquele amor visual, aquele flerte casual e instantâneo, passageiro e diminuto. A olhadela por entre a fresta da porta do consultório do médico imprimiu em Nina uma fixação, gerou em seus anseios femininos, o tipo ideal, o molde adequado, o homem dos sonhos, o amante perfeito. No silêncio de sua introversão imaginava ela os afagos, os carinhos, os amores. Contemplou em seus arquivos mentais, aquela imagem dócil e cativante, inesquecível e devotável e a amou de um jeito quase patológico. No seu âmago o desejou com furor uterino intenso e decidiu que faria tudo, tudo quanto estivesse ao alcance de sua atrevida vontade de ter para si aquele homem.
A consulta alcançou termo, outros assuntos foram tratados e enfim o dia desvaneceu no lusco-fusco. A volta trazia um expectância pueril e jovial num misto grandiloqüente que excitava e inquietava Nina que no silencio de sua intimidade repetia para si, ele será meu, ele será meu, ele será meu...
Os dias se sucederam naturalmente, sem muitas novidades, até que numa noite quente, Nina não foi à faculdade e teve tempo de volver às suas memórias e assim participar a Tati, aqueles volumosos desejos, encontros e pensamentos, que em um turbilhão de acontecimentos gestaram em si as mais inusitadas fantasias, os mais intensos e variados desejos, os mais inconseqüentes e intrépidos planos de aproximação, para ter um contado com ele, o objeto de todos os seus pensamentos, de toda a sua contemplação, de todas as suas fantasias. O doutor Gustavo.
No decurso do dialogo com Tati, confissões foram reciprocamente proferidas, sensibilidades e fantasias desfiadas em um rosário de deleites e risos que aproximavam as duas num lúdico momento de conversa de mulher. Nina discorre sobre os cabelos láureos e belos, os olhos maravilhosos, a pele, e aqui verbaliza a emoção e o tesão que imagina causar, o toque daquele corpo, daquela pele, enfim daquele homem. Fala da boca, do riso, do brilho no olhar, do cheiro que a metros pôde sentir, uma essência diferente, mas que podia ser definida como a essência da paixão voluptuosa e desmedida. E ambas se riam e se divertiam muito... Até que Tati faz uma observação que foi quase uma agressão aos ouvidos de Nina, ela confessa ter visto uma aliança nos dedos do médico. Isso implica que ele é noivo ou casado, isso muda tudo, isso agride todas as fantasias, todos os devaneios, todos, todos, todos.
Nina é tradicional em muita coisa e no que se refere ao casamento, ela é carola. Católica de educação e prática até aceita com certo pudor competir com uma rival para subtraí-la o noivo, embora muitas vezes se sinta promíscua com relação a essa verdade, mas ainda assim, tolera, mas se o médico for de fato casado será o fim a morte trágica de tantos sonhos, desejos e fantasias. O simples pensar nisso, a entristece e extenua.
Nina é uma mulher muito bonita, é jovem, alegre, tem um corpo bem feito e bem delimitado, se veste bem, embora com parcimônia, e consegue se impor como mulher sem nenhum esforço, suas atribuições naturais de mulher são bastante eloqüentes e persuasivas para qualquer homem, e muito certamente, não passa despercebida por nenhuma mulher. Ela tem uma beleza simples, pouco erotisada e nada vulgar, porém sem nenhum matiz artificial, das construções estéticas que formam e deformam as mulheres que lhe são coevas.
O desejo e os projetos para alcançar o médico, que não se esvai de sua mente fica a cada dia mais intenso nem as considerações de uma possibilidade remota, mas possível de ser ele um homem casado, a faz esmorecer de sua meta, ela vai fazer contato e ouvir a sua voz percebê-lo de algum modo e em fim descobrir se é esse deus nórdico um, homem que lhe está vetado por suas convicções religiosas e morais, por ser casado, ou se é um homem que aceita as investidas de uma mulher decidida e em plena guerra pelo seu projeto. Assim mobiliza todas as suas forças, todos os seus contatos e após muito esperar, ligar, conversar, insistir, enfim consegue o numero do celular do médico e agora está a um passo de fazer a ligação e ver decidido o final desse romance psíquico em que ela se vê envolvida, pela força da beleza do médico e pelo impacto do brilho do seu olhar.
No Silêncio de suas expectativas elabora mil planos de como fazer a ligação, e de como proceder a essa fala de introdução. Tudo é perfeitamente factível e inseguro, segundo seus pensamentos. Dependerá somente dela o sucesso desta empresa, no entanto ela não se engana conhece suas inquietações e tudo quanto está além de seu controle, o que em muito a deixa insegura, porém não o suficiente para fazê-la desistir.
Dentre tantos planos ela concebe um, não melhor ou pior, mas diferente e desafiador. Um amigo a aconselha a interpretar uma personagem, desenvolver uma performance teatral, para se aproximar do seu objeto de desejo e verificar tudo quanto é indispensável para prosseguir ou desistir. Ela gosta das sugestões e de toda a loucura do plano e passa a considerá-lo, cria um pseudônimo e define quem é essa mulher.
Sexta feira véspera de um feriado, que alongará o final de semana até a segunda feira, que será folga em função do feriado nacional, Nina acorda decidida a encontrar de vez o seu médico e verificar todas as suas inquietações.
O telefone toca... Trimmmm, trimmm, trimm... Mm... Uma voz suave e desenvolvida avisa eletronicamente que a ligação estará sendo encaminhada á caixa de mensagem, quando a ligação é subitamente interrompida.
Uma angustia faz ebulir um sentimento de descontentamento que em muito lembra a sensação de fome. Uma irritação grita vociferante dentro daquela mulher impecavelmente produzida, e num surto de ira, ela atira o celular sobre a cama e sai do quarto pisando duro e asperamente como se estivesse esmagando toda a sua frustração, a cada passo. Anda pela sala, passa pela cozinha, abre a geladeira, pega a jarra de suco e toma um pouco de suco fresco feito com poupa de fruta da fazenda. Um vento leve e descontraído entra pela janela e lhe sopra numa brisa afável e rejuvenescedora, que vai levando toda a irritação momentânea que a afligia. Com a mesma imponência visual e estética refaz o caminho até o quarto agora num bailar sutil que em nada lembra a intensa angustia que destilara no caminho inverso.
Defronte ao espelho olha a si firmemente e deixa escapar um discreto e zombeteiro sorriso. Vira-se para a cama e olha o celular em um canto próximo ao travesseiro em formato de coração de intenso vermelho aveludado. Sorri levemente, coloca o copo sobre a mesa do quarto e se joga sobre a cama como, uma suicida precipita-se. O atrito do seu corpo contra o colchão macio faz ondinhas e um ruidoso som que em escala decrescente vai silenciando-se. Suas mãos macias e de dedos finos e harmônicos desliza suavemente sobre o lençol fino e perfumado e numa procissão lenta e planejada serpenteia sobre a cama até tocar o aparelho celular que ali está inerte. Gira lentamente e minuciosamente olha aquele aparelho seus pensamentos divagam em milhares de pensamentos desconexos, que vão desde a filosófica questão de onde viemos até a questão mais funcional no que se refere a um aparelho tão pequenino como aquele, poder aproximar tantas pessoas e vencer a distancia, o tempo e em certa medida o espaço... Naquela semi-inércia, numa letargia filosófica ela se demora num momento sem nada de nexo, até que abre o aparelho e verifica uma chamada não atendida, quando visualiza o número que chamou num súbito movimento salta sobre a cama e senta se numa manobra circense. O coração acelera, as mãos suam frio e o respirar se descompassa, na irritação do momento abandonou o celular no quarto e enquanto saia até a cozinha alguém ligou, e não foi qualquer alguém, foi alguém especial, alguém por quem ela buscara a semana toda e insistentemente encontrava a sua caixa de mensagens. E agora que a pessoa finalmente resolve retornar a ligação ela está ausente e não atende. Um desespero mórbido se apodera dela e ela culpa-se, culpa-se até decide ligar mais uma vez.
O ambiente é corriqueiro, uma unidade hospitalar. Mas é um hospital que atende particularmente e em convênios com instituições públicas, no entanto a estrutura é impecável embora simples. No estacionamento um corola preto, reflete as imagens adjacentes de tão limpo e lustrado, sua porta se abre e acolhe ali o seu proprietário, um belo e jovem médico, que após um longo dia de trabalho ainda irá se encontrar com uma jovem que lhe solicitou ajuda para um trabalho universitário de conclusão de curso.
O doutor Gustavo é muito solícito sobremaneira aos estudantes que a ele recorrem, pois ainda trás em si o frescor e os desafios inerentes ao processo de graduação. Por isso sempre que pode dispõe se a ajudar àqueles que o procuram. No local combinado ele chega meio sem jeito, pois está cansado e nem pode passar em casa pra tomar um banho e se descansar um pouco. Numa mesa uma jovem o recepciona com um sorriso que dispensa qualquer apresentação. Com um sorriso acolhedor o médico retribui a saudação e trocam dois ósculos faciais sentam-se e sem demora ou qualquer fetiche protocolar passam as falas, pois o pragmatismo do doutor Gustavo não permite muitos rodeios.
Júlia se apresenta como graduanda do curso de administração, conceitua sua instituição de ensino e a conversa se desenrola.
A conversa vai se intensificando e ora ou outra o médico toca a mão de Júlia numa espécie de ritual de intimidade, e desconhece os efeitos dessa ação na bela jovem.
Ela está impecavelmente bela, num vestido de cores mistas e leves de harmonia indefectível, que lhe cai muitíssimo bem valorizando seu corpo e seus traços femininos, uma maquiagem moderna e sutil que transmuta aquela jovem bela numa explosão de mulher, uma espécie de deusa mítica grega, todos os presentes e transeuntes registram a presença daquela jovem. Não há nada de extravagante e ou diferente demais na jovem, mas sua figura exerce um magnetismo que atraem os olhares inclusive o do médico que a fita insistentemente enquanto conversam, e talvez até inconscientemente sente o impulso de tocar as pontas de seus dedos, que apresentam belas unhas, artisticamente produzidas.
O espelho reflete dois corpos nus em estado de repouso, gotículas de suor escapam pelos poros da pele avermelhada, um perfume de paixão emana da cama desfeita com lençóis ao chão e um mar de amores afoga as duas almas entrelaçadas em dois corpos que mais parecem um, numa cama de motel. A mente sonolenta e saciada rememora o frenesi dos corpos famintos em retro projeção de imagens imediatamente vivenciadas e ainda quentes no colo do passado. Olhos brilhantes como o sol, corpos quentes como lava de um vulcão incandescente, vozes loucas e roucas em gemidos e gritos desesperados, impactos de peles que se atraem com a força e o magnetismo que lembram a força da gravidade. Um não consegue deixar o outro e se possuem e se amam, se devoram se deságuam infinitas vezes num amor insaciável. Como se todo o resto do mundo não existisse, mais que isso, como se do gozar desse amor, do viver dessa paixão, do devorar um ao outro, numa bacante e indescritível noite de amor, dependesse toda a estrutura da existência universal. Assim se demora nesse ato, quando o médico Gustavo inquire educadamente à jovem Júlia - Em que lhe posso ajudar?
Despertando do sonho que vivenciava naqueles segundo que sucederam ao toque do rosto de Gustavo ao seu rosto, onde Júlia perdeu a razão de tempo, espaço e realidade e o amou como uma deusa gerando o cosmo do seu amor insaciável, ela o fita firmemente e sorri, o papo se desenrola e muito se conversa em quarenta minutos de conversa. O telefone do médico toca e ele indisfarsavelmente ganha um leve rubor nos seios da face, diz que aconteceu um imprevisto e que precisa encerar aquele assunto, se desculpa levanta-se e antes que Júlia pudesse dizer algo mais, ele se vai apressadamente.

Os dias correm na indiferença comum do deus cronos, sem si importar com as querelas vãs que preenchem os dias. Assim as frivolidades toscas que enchem o cotidiano só encontram relevância no seio dos seus atores. Nina acorda com o raiar da aurora, pois em mais um dia de viagem vai novamente ao consultório do doutor Gustavo, aquele homem maravilho que tanto lhe impacta. Dessa vez ela também se submeterá aos exames daquele homem e têm calafrios só de imaginas suas mãos tocando seu corpo para proceder aos exames.
No consultório quando a porta se entre abre e é chamada a sua irmã Tati, os olhos de Nina se encontram com os do médico e aquela cena de tão distantes dias se repete como se acontecesse da primeira vez. Os corações se descompassam e certo inconveniente se mostra quando um e outro deixam os presentes perceberem a trocas de olhares.
Quando enfim é anunciado o nome de Nina, o frio lhe engessa os movimentos e ela teme aquele momento, mas avança e adentra o consultório, a porta se fecha. Vendo o prontuário, o médico pergunta, Nina ou Júlia, a quem eu devo atender? Aquela pergunta desarmou a bela jovem que se viu nua frente ao médico, tudo que ela conseguiu esboçar foi um sorriso fortuito e de pouca segurança. Ao se demorar sobre o médico verificou que este estava rubro e trêmulo o que lhe fez recobrar a segurança e então avançou, e devolveu a pergunta, em tom audaz e irreverente. A qual delas deseja examinar? Os dois se riam, marcaram de se encontrar pra dissolver os resquícios daquele primeiro encontro.
Enquanto atendia a Nina o médico demonstrava muito zelo e carinho por ela e alimentava assim seus mais inusitados sonhos, se despediram e um novo encontro a três ficou agendado.
No encontro em local adequado e torcendo para que tudo acontecesse da melhor maneira estavam presentes Nina, Gustavo e Júlia. Muitas expectativas envolviam o encontro. Quando estavam frente a frente e sem pressa Nina olhou diretamente na mão de Gustavo que não trazia nenhuma aliança como prenunciava Tati, mas estava marcado em seu dedo anelar o sinal que ali esteve por muito tempo a presença de uma espécie de anel. E nina se pergunta: - Terá sido a aliança propositadamente retirada, teria sido cafajeste o suficiente para tamanha manobra, o lindo e irresistível Gustavo? Júlia O fitava famintamente e administrava previamente os atributos físicos do bem sucedido jovem médico. Nina e Júlia se entreolhavam maliciosamente e se inquiriam sobre o que poderia resultar daquele encontro. O jovem médico olhava firmemente aquela jovem e bela mulher ali em sua frente e não conseguia dissociar As duas identidades que detinha da mesma jovem e bela mulher.
No momento em que iniciavam a conversa um jovem negro e belo adentra o recinto acompanhado de uma mulher bela e de vestes requintadas e imponentes, um rubor intenso desenhou no rosto de Nina um aparente pavor e o doutor Gustavo percebeu tudo isso sem disfarçar sua inquietação com aqueles que acabaram de chegar, felizmente aqueles se encaminharam a outra extremidade do salão, no entanto uma inquietante sensação de que estavam sendo observados permeavam o casal que conversavam.
O que há de razoável em tudo isso é que sob o ponto de vista da humanidade, todos sonhamos, amamos, traímos e somos traídos em algum grau. Todos somos belos, lindos e irresistíveis, dependendo tão somente dos olhos que nos olham e sobre quais perspectivas nos olham. As vezes sofremos por idealizar demais e buscar longinquamente a felicidade que está do lado nos chamando pelo nome. No entanto já advertiu o poeta lusitano tantas vezes parafraseado... Tudo vale a pena se a alma não é pequena, e o profeta anunciou aos pudorosos e puritanos que temem a vida por suas dores e métricas que na dose certa e na hora certa tudo é bom e faz bem, afinal a diferença entre veneno e remédio é a dose. Nina é todos nós assim como Julia e Gustavo, agora o desfecho da história pode ser recontado ao sabor do desejo de cada um...
Não resistindo a inóspita situação de se sentirem vigiados e movidos pelo desejo, Nina e Gustavo deixaram discretamente o local e se foram deixando no ar um quê de mistério e suspense que não anuncia o desfecho de vidas que se cruzam tão inusitadamente sob os auspícios dos mais variados episódios, e assim se mesclam deixando e levando um pouco de cada um...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

ELEITOR FICHA LIMPA

Eleições 2010

Vivemos numa democracia! Uma democracia de porcelana, democracia que custou muito caro à nossa brava gente, democracia que se fez de sonho, suor e sangue, de lágrimas, brados e tiros, de gente caindo no calor da batalha ou no caminho da vida, nas mais variadas das lidas, gente despertando e soerguendo-se a calcar posições e a dar sua participação no formatar dessa democracia. Uma democracia cara e frágil, frágil, tão frágil que ainda não dispõe de um nível de consciência que permita a nossa gente uma realidade mais justa e igualitária, inclusiva e diversa. Somos a democracia, dos direitos em construção e dos deveres impostos e sempre que possível, relegados. No entanto somos a melhor democracia que o capital pode comprar.
Esse ano tem eleições “a festa da democracia” e o povo brasileiro ouve falar em candidatos ficha limpa, esse rumor que é brisa a anunciar uma nova estação excita os mais sonhadores que já convictos aguardam uma renovação política, uma reforma política, uma mudança que reflita a necessidade e o desejo do povo de ver o Brasil representado por homens e mulheres dignos e competentes e um sistema político/eleitoral firme transparente e eficiente. No entanto ainda temos em grande e larga escala, o voto vendido por favores, por vínculos familiares, por afetos, por dinheiro, botijão de gás, doze de pinga, saco de cimento etc., essa prática assassina o sonho de mudança e a possibilidade de renovação e reforma. Pois evidencia o analfabetismo político que ainda vigora em nossa sociedade. Soma se a essa grotesca realidade da corrupção de políticos e eleitores, o triste sonho da neutralidade que tantos ainda julgam ser viável e real, onde batendo no peito dizem convictos e altaneiros: eu não discuto política, eu não gosto de política, eu odeio política! Mal sabem que o homem é um ser político e que passivo ou ativo somos sempre partícipes desse universo. O pior é que fugindo de se conscientizar, de participar e de agir honestamente estão garantindo a manutenção da politicalha (político canalha), nas posições de mando e decisão do nosso país, estado e município. Depois falta saúde, remédio, ambulância exames médicos, hospitais... Falta educação, escolas creches, merenda escolar, transporte escolar, professores, etc... Falta segurança, policiamento, tranqüilidade em casa e nas ruas. Entre tantos itens que a cada dia faltam e vão faltando sempre mais! Agimos ignorantemente, maliciosamente enveredando-nos por caminhos penumbrados e tortuosos, trabalhando sempre em favor do egoísmo e do individualismo. Eleição é um acontecimento coletivo e plural que visa dar voz a cada cidadão no processo de escolha de seus representantes nos poderes executivo e legislativo. O triste em tudo isso é verificar que o pensador em certa medida tem razão quando desabafa, “quando quem manda perde a vergonha, quem obedece perde o respeito”, pensando nisso é hora de exercermos com mais brio e honradez os nossos papeis sociais, a começar pelo papel de eleitor e votar em pessoas que tragam uma história de vida que lhes credencie a representar uma nação cheia de potencialidades e um povo historicamente, governado em detrimento de seus direitos e interesses. Diga não ao político corrupto e enganador, seja você também, um eleitor ficha limpa, pois é assim que vamos fortalecer nossa democracia e superar tantas injustiças e desigualdades. Participando diretamente da vida política, definindo sua posição e contribuindo para que a democracia de porcelana seja transmutada em uma democracia forte e sólida onde o ser humano encontre espaço para cumprir o seu papel na história... Ser em plenitude.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A BOCETA DE DONA FRANCISCA

Imbão! As vêiz eu me alembro duns cunticido de meus tempo de mulecote, que anté pego a rí d’eu memo. Ind’agorinha tava aculá de fuga, assuntano o gado rimueno, di coqui debaxo dum pé de barú erado que desde o tempo de vô Tôim qu’ele tá lá no memo lugázim. E o pensamento foi numa lunjura que credo im cruis!

O causo cumeçô, foi o siguinti... A mochinha levou um supapo da maiada que chega tombô no meloso! Imbão, essa bestage de nada, feiz o pensamento ganhá o gerais e pequei o viagêro da mimória e conde vi tava lonnnnnge... Peguei a me alembrá d’eu mais cumpadi Afréu e um causo puxa ôtro e ansim me alembrei de dona Francisca do ribêrão. Muié que todo mundo gavava pela manêra dela levá a vida. Óia qu’ela era uma muié arrespeitada e memo véia cuma eu alembro dela, ela inda era um veiona prumada.

Dona Francisca casô cum Mané Pinto e inviuvô cedo. Era o que o povo dessas bêra tudo contava. Diz que ela era moça pobre mais muito intiligente e trabaiadêra e o Mané se apaxonô pela moça e cabô casano cum ela e conta que foi um festão de fazê gosto. A Chiquinha, cuma o povo chamava ela conde minina, era a coisa mais bunita desse Cerrado. Adispois que se casô cabô o negoço de chamá de Chiquinha, Mané Pinto aviso logo na festa de casório que, chiquinha morreu no artá, que d´ágora pá frente era “ Dona Francisca” é meio imperudo, mais anté que acho bacana! O Mané era bobo, mais n’éra muito não! Rsrsrs...

Imbão! mais eu já vô discambano pr’aculá e num contei cuma foi que acabei me alembrano de dona Francisca...

O causo é que nóis morava numa distância de treis légua e meia da fazenda de Dona Francisca e cuma papai e Tiii Joca trabaiava cum fazimento de cerca de arame, roçada de pasto e esses trem de lida da roça. Vorta e meia eles tava pegano uma impreita de Dona Francisca e conteceu que numa dessas impreitas anté eu cabei ino judá narguma coisa. Era uma fazidura de cerca de pasto, num brejão que tinha lá nas divisa das terra de Dona Francisca, com as mata do capão da onça, que era da famiia Montêro. O sirviço era grande, impreita pruns seis meis. E cabô que argumas vêiz anté eu que era mulecote, cabei ino mode judá a oiá o rancho, chegá terra nos pé das istacas, ô buscá água no córgo pá inchê as cumbuca.

Um dia desses adispois de tomá bãim no riberão Mosondó, nóis fumo todo mundo ( papai, tiii Joca, Nenêm Preto, Julião e eu) mode jantá na casa de Dona Francisca, qu’ela já tinha marcado cum papai de acertá ums negoço lá que eu nem me alembro quê que era. Foi nesse dia qu’eu conhici de perto Dona Francisca, óia, era memo uma sinhora vistosona! Num era atôa que a piãozada vivia cunvessano manaiba e pono a beleza dela no mei!!!

Dona Francisca usava uns vistidão bunito todo adecorado de uma purção de flô, tinha flô de tudo que era core acumbinava cum o corpão graudo qu’ela tinha. Nóis acheguemo o sol já ia morrenim na ispinh da serra e os raio amarelado dle chega pintava as bêra do céu. Eu muito ladino, já cheguei pondo assunto ne tudo, mode cumpanhá o que tava acunteceno. Nesse tempo minino num tinha muitas vêis não, os mais véi tratava minino era cum reidia curta. De modo que nóis ficava ansim mei que de banda, assuntano o trêm mei de isguei e num pudia se amisturá na prosa dos aduto não, que senão a bronca era feia e adispois o côro cumia no lombo. Mais logo que cheguemo sirviru a janta, adispois vêi um café e eu inda ranjei uma lasca de rapadura pá mode afiá as presa, inquonto eles proseava. Eu me assentei num banquim feito de casquêro de carvuêro cum furquia de cabiúna que pelo o tanto que o bicho lumiava cum as labareda do fogo, porque ele tava ansim perto do rabo do fogão, eu acho qu’ele tinha bem uns noventa ano de uso.

Imbão, a prosa curria solta lá na sala e eu alí no banco, no entremei da cozinha cum a sala só aiscutano a cunvessa e manducano rapadura e suntano. Derrepente um trêm me adispertô o sintido, moço! Era a boceta de Dona Francisca. Tava ela lá na sala, mais seu Gerômo irmão dela, proseano mais a turma toda, por que eles se acuinhicia desde muito tempo. Era até mei aparentado, se num fosse parente de perto, omeno uma parentéla mais adistanciada eles tinha. E o que me incabulô era que eles tudo falava a mesma coisa. O assunto era a boceta da Dona Francisca! E o trem me dexô dum jeito interessado, que passei a grelá os zóios no povo pá intendê o quê que tava acunteceno.

Todo mundo ia lá e mitia os dedo na boceta dela, pegava uma tragada e mitia no nariz e chêrava. Uns ispirrava e contava o quê que tava achano, ôtros falava que era bão mais num ispirrava, ôtros inda mitia o dedo mais uma vêis e assim todo mundo pruveitava a boceta de Dona Francisca mode tocá a prosa e acertá os trato dos sirviço. E eu sei é que de tanto todo mundo prová da boceta de Dona Francisca, anté eu fiquei curioso. A lua discambô no céu e ela tava na força da cheia foi um ispetáculo bunito demais, conde ela levantô na cabeça da serra e aluniô o sertão com seu sorriso incantado, aí o povo foi pá varanda uns pitá outros só cumpanhá inconto cunversavam e dona Francisca ficô alí adistraida oiano pú céu cuma se tivesse cunvessano cáquela belezura de lua que de tão grande anté paricia que tava pertim da gente.

Eu que inda tava cum o sintido na boceta de Dona Francisca, pruveitei que todo mundo distraiu, e pensei cumigo memo, “agora vô vê que diabo que tem nessa boceta”, que todo mundo mete o dedo chêra, chêra, chêra e comenta e fala isso e fala aquilo e aquilo otrô e coisa e tal. Cum esse pensamento fiquei alí na espreita assuntano se Dona Francisca num ia me vê fazeno a traquinage que eu tava matutano. Teve uma hora que eu suntei e falei cumigo memo, é agora! Dona Francisca juntô a rudia do vistidão florido dela, ajuntô o xale nos ombro, abriu as pernas e ajeitô o corpo pá frente se adibruçano na janela e cumeçô a toca a prosa com os homi lá na varanda. E eu pensei cá cumigo ... È agora! Sai ansim mei que na sunsura adisfarçano cum quem tava só de passage pela sala e chega gelei o coração... Sabe conde cê tá dicidido a fazê um trêm que ocê sabe que num tá muito católico? Imbão foi eu!..

Conde eu cheguei na sala e aispiei de rabo de zói por cima da mesa, de cá eu vi a danada lá, ansim toda fací. O gelo no coração foi passagêro e quiném um rái eu parti pá riba dela mode fazê o que eu tinha matutado. Cum muito jeito fui berano a mesa e a mão dislisano na direção da boceta... O gelo no peito aumentava a cada pedaço de mesa que a mão andava... E eu tava tão ispivitado pá pega a danada, que eu nem tive corage de oiá. Conde eu sinti que minha mão tinha chegado na boceta de Dona francisca, eu enchi a mão na danada e sai que nem curisco mode num sê pêgo na arte. Sem nem sabê se dona Francisca tinha visto, se tinha achado bão, se papai ia me cumê no rêi, ôh quorqué coisa ansim .

Com a boceta na mão e a mão na boceta pra escondê o fruto de minha mulecage, ganhei o escuro do terrero onde a lua alumiava mais pôco, mode causa da sombra da casa e das pranta. Ali, foi que tive meu desejo realizado, bão pelo meno foi o qu’eu pensei a pricipi. Mas cuma diz Tia Graciana “urubú conde anda avexado o de baxo caga no de cima”, de modo que cum a boceta de Dona Francisca alí entre as mão suada e tremeno, destampei e meti os dedos tambem eu. Alí fiquei me sintino um verdadêro home, o cabra que vai atrais do que qué e faz do jeito que bem intendê. Nessa satisfação inchi os dedos e dei uma tragada tão grande que vuô rapé pelas ventas tudo, anté dento do zói. Ôh moço foi nada não, o trêm conde num tá pá gente num dianta insisti. Conte o rapé entrou nariz adentro, o trêm num prestô não... Aquilo cumeçô a quemá e a ardê e eu cumeçei a ispirrá e fui perdeno fôlego e disparei a chorá e a gritá e o povo vêi tudo pá vê quê que tava cunteceno e Dona Francisca tambem foi chegano trazeno água e uma lamparina mode clariá e adispois de muito supapo e gole d’água me apegaro no colo e leváro pá dento. Conde chegô lá a lasquêra tava pronta! Minti num diantava tinha rapé pá tudo que é canto da cara! Papai veno que eu num tava bão era nada, só me passô um rabo de zói ansim d’aqueles qu’eu já sabia o que quiria dizê e pidiu um poco de garapa mode me dá pá bebê. A impregada de dona Francisca vêi trazeno a garapa e um pano moiado pá limpá minha cara toda borrada de torrado, foi aí que ela falô ansim... “Ocê ficô doido minino! Ondé que já se viu chêrá pimeta do reino desse jeito? Isso num é torrado não!!! Ah moço aquilo me deu uma girisa... Na gunia de pegá a boceta de Dona Francisca e cum medo de sê discuberto peguei foi a caxinha de pimenta preta. A gaiófa foi grande levei uns insfregão de papai que me mandô durmí lá no rancho e cabei num discubrino quê que tinha de tão bão na boceta de Dona Francisca. Adispois de vê que num foi nada e eu já tá deitado na rede, eles voltaro pá sala e continuaro tocano a prosa e contaro potoca até madrugada véia. Eu morreno de reiva e vregonha tirei uma madorna e conde cordei o galo já tava miudano, e de cá do rancho eu inda iscutei eles lá, contano potoca cherano rapé e tomano café.

Tomei uma birra de torrado que anté hoje num pito, nem chêro rapé, tudo mode a diaba da boceta de Dona Francisca.

Ai, ai! Minino tem cada uma que a gente vevi a vida intêra e num aisquece! Imbão agora dêxa eu andá que a prosa tá boa mais eu priciso cuidá da vida inquonto a morte tá incuída. Inté!!!

domingo, 13 de junho de 2010

Democráticos

Nossa gente é o penhor
De uma dívida sem igual
Que nos faz ser escravos
Em nossa terra natal
A miséria e o sofrer
Dominam o dia-a-dia
Que seria dessa gente
Se aqui fosse ausente
A tal da democracia?

Já venderam nossa luta
Nossos sonhos, nossos filhos
E a nossa pátria amada
É feita de maltrapilhos
Mas tudo está indo bem
Por isso o povo faz folia
Que seria dessa gente
Se aqui fosse ausente
A tal da democracia ?

Mataram o pai dos pobres
E o tacharam suicida
E a vilã corrupção
Desfila nas avenidas
Agora matam os pobres
Numa constante guerra fria
Que seria dessa gente
Se aqui fosse ausente
A tal da democracia?

Todo mundo se uniu
Para lutar pelo povão
Descobriram uma saída
Com a globalização
E pra torná-la “real”
Eles lutam com euforia
Que seria dessa gente
Se aqui fosse ausente
A tal da democracia ?

Com um texto decorado
E o branco colarinho
Dizem estar interessados
E até usam de carinho
Mas por trás da bela máscara
É absurda a hipocrisia
Que seria dessa gente
Se aqui fosse ausente
A tal da democracia ?

O Ninho

Velho ninho que em outrora
Servia de habitação
Acolhendo os passarinhos
Em busca de proteção
Já foi visto e admirado
Serviu de inspiração
Hoje jaz adormecido
Repousando neste chão.

Suas glórias já passaram
Hoje restam só saudades
Mas a tinta e o pincel
Lhe deram eternidade
Não foi obra do acaso
Ou tampouco do destino
Foi João teu nobre irmão
Artista, doce menino.

O ipê ainda chora
Sentindo saudade sua
Solitário é consolado
Pelo sol e pela lua
Quem te viu não te esquece
Quem não viu muito perdeu
Que beleza, quanto encanto
A natureza lhe deu.

CRONICA DO PENISDRIVE

SEXUALIDADE VIRTUAL

Imagens google















Eu estava na rede e o vento soprava. A brisa arrepiava-me e nessa atmosfera de inverno percebi que você me olhava num flerte gigabytico. Meu sistema operacional entesou meu penisdrive e expôs virilmente sua glande metálica. Senti o odor virtual de suas entradas USBs, que excitadas convidavam-me a navegar por suas ondas, a cabo, sem fio, a satélite.
Minha estrutura ainda fria em plena rede se animou com as possibilidades de um download e assim não pude me conter, deslizei por cada página de seu corpo, por documentos HTMLs e DOCXs, apreciei cada cantinho de seu corpo digital e lhe confesso... Ai meu Deus! Como fui feliz!!! Subtraíram-se os espaços, volatilizou-se o tempo, e em uma espécie de mágica fomos um...
Cai na vida e me viciei em seus encantos em pouco tempo andava devasso flertando a todos numa androginia virtual amando de site em site a todos os seus andrógenos habitantes. Mas minha devassidão me custou caro! Hoje vejo meu dispositivo infectado, e sofro com tantas DSTs (doenças Sistemáticamante transmissíveis), spyware, malwares, adwares, rootkits e tantos mais, me separando de você, impedindo nossa conexão. Mas meu machismo e sexinformatísmo desenfreado, não resistiu aos encantos que se pode ver.
Em tantos cantos há discursos eloquentes de brechas quentes de uma entrada USB ou PS2. Me enganei, fui mais longe do que me convinha e expus a nós dois, ao não usar preservativos (Avira, Adware, Combofix, MOD32, AVG).
Agora enfermo não me plugo ou me conecto, nem fico ereto, como é duro de dizer. Meu penisdrive está queimado e sem ter uso, tudo por que não fui fiel ao nosso amor. Eu me lembro do que me disse uma amiga, que brincava sem pudor, quem vê gabinete, nobreak, mouse e monitor, nem sempre vê HD e/ou processador.
Joguei no lixo nossas possibilidades e deletei sem nem pensar nossa conexão, mas eu preciso francamente lhe dizer que mesmo vivo eu já não vivo sem você.
Seu nome é lindo e não sai da minha mente, se fecho os olhos eu só consigo te ver, até o vento vem me repetir seu nome (Informática Internet Microsoft!!!) Seu nome é o canto que embala o meu viver.

domingo, 23 de maio de 2010

MEU REFLEXO

Imagem do google

Existem momentos na vida... Em que um imenso vazio faz-se sentir... E faz se sentir de modo brutal! Nesse momento é assim... Exatamente assim, que me sinto... Minha chama interior já quase morta, extinta pelo sopro da desesperança, a custo mantém me animada. De pé, meus olhos ressequidos, padece o martírio de ter que captar a imagem, no dilacerante exercício do ver.
A cabeça lateja atordoada, e os pensamentos desordenados tornam tudo ainda mais dramático e cruel...
O sol impiedoso cauterizando o mundo, não tira de mim a apocalíptica sensação de desgraça, um cheiro pestilento de medo, empreguina o ar e o universo estático, sem canção... é um lamento só. Uma eternidade de angustia!
É verão na chapada e tudo me é terrivelmente doloroso, a vida...? Um fardo...! A lida...? uma idiotice sem a menor justificativa...! Então porque continuar??? Não sei!!! Não há em mim razão para nada; continuar, parar, retroceder morrer, amar, sorrir, chorar, gritar, cantar, dialogar, monologar, não sei mesmo, nem o porquê de continuar meu relato...
... Mas, sigo! Ferido, chagado, na alma, no peito, nos olhos, nos ouvidos, na boca e no coração... Olho para o céu e ele está lá, profundo em profunda fumaça celeste... então porque sinto-o, aqui em cacos oxidados, exalando o pestilento odor...? Não sinto Deus ou o diabo, paz ou conflito...! só um desespero perene, sem gênese ou rumo... Do lado, dois jovem robusto, belos botões dessa contraditória flôr chamada, humanidade. Alheios ao cosmos, (ao meu ver e sentir) desafiam a fúria do tempo e ignoram e desprezam o cálice da razão...! Apenas seguem pavimentando meio palmo de chão, compactando a terra com um malho de concreto e cada socar é um golpe em meu coração sem alma...
Por outro ângulo sofro, a imagem terrível e não menos estúpida, de um xucro lavrador com toda sua simplicidade, se gastando com dois filhos ainda crianças sob o castigo do sol implacável, a reger uma desgraçante sinfonia de enxadas, a lavrar o solo seco e de horrível aspecto... Continuo olhando e interiormente sofro, sofro e choro a estúpida odisséia humana. Absorto em seu existir fugaz,segue o homem construindo reinos de areia e sonhos, reinos que são erguidos sobre os cadáveres dos entes que vão ficando a margem do caminho, castelos erigidos de tecidos humanos: peles, tripas, hímens, vaginas, penis, anus, pernas, bundas, sangue, suor, saliva, lágrimas... Assim nascem as cidades humans, as fortalezas sem segurança mínima... os cárceres do eu... mas, o que digo?! Acaso não comungo eu, de tudo isso?!?!?
Sim, sim, sim eu comungo! Eis a razão do meu padecer... Não sei eu, quem me terá amaldiçoado; Deus...? ou o demônio? ( se é que eles não são mais uma obra nossa!?) mas, perceber tudo isso tira-me o doce cálice da ingnorância comum... Então sou marginal de minha própria ingnorância...
Cantando para quem não quer e não sabe ouvir. Escrevendo para quem não quer e não sabe ler. Sonhando por quem não sonha e não quer sonhar. Chorando para quem não entende e não quer o pranto. Morrendo por quem não entende a morte e não quer morrer. Morrendo para saciar quem não entende a vida e faz da morte razão de ser. Morrendo com quem morre...! Quem morre literalmente e quem morre um pouquinho a cada instante, seja que tipo de morte for...! morrendo... e ressurgindo sempre e sempre num peregrinar surdo, mudo, cego e louco...
Sempre que sopra a brisa e a esperança ressurge, para renovar meu tormento... Caminho... Solitário nesse saco de tripas e tantos quês... Desprezível homenzinho... Que move e faz o mundo!!!

Poesia morena

Imagem do google











C AM G
Mar... céu .... Lá
F
Cá...
EM Dm7 C
Saudade
G AM DM
Mas... Vem ..... já
F G/B C
Feli...cida...de

C AM/G G
Aqui a saudade se impõe tal quais os templos de Atenas
F C
Deixando assim tão distante a poesia morena
F G
Essa saudade que punge teima e em tudo me acena
EM DM G7 C
Falando de nossa poesia falando de ti morena
AM F G G7 C
Falando de nossa poesia falando de ti morena



C AM/G G
Cronus subtrai o passo aumentando assim minha pena
F C
Multiplica a saudade que sinto e à distancia nos condena
F G
Mas as lembranças consolam e faz a horas amenas
EM DM G7 C
Falando de nossa poesia falando de ti morena


AM F G G7 C
Falando de nossa poesia falando de ti morena


C AM/G G
Ainda que tudo conspire mesmo que ninguém entenda
F C
Vou aguardando o momento que a alegria seja plena
F G
As horas sejam de euforia e de poesia oh morena
EM DM G7 C
Na vida tudo é fugaz e ainda assim vale a pena
AM F G G7 C
Porque tenho a ti oh poesia porque tenho a ti oh morena

Jóia Poemática

Imagem do google













Dentre todas ela é a jóia mais singela
Tão meiga e tão doce e por isso a mais bela
Feita em tom menor é melodia penetrante
Seus olhos possuem o brilho dos diamantes
Seu corpo pequeno tem a força dos cristais
Formas encantantes belos gestos sensuais
Simplesmente linda lindamente feminina
Mulher forte e tenaz com encanto de menina
Simplesmente linda lindamente feminina
Mulher forte e tenaz com encanto de menina
Contigo tudo posso em ti me acho pleno
Os mais duros momentos junto a ti são mais serenos
Você é a mulher que me faz ser completa
Amiga mãe esposa cúmplice meu alfa-beta
A vida é o papel onde você é o poema escrito pelo amor poeta mor com sua pena
A vida é o papel onde você é o poema escrito pelo amor poeta mor com sua pena...

Gente Caida

Imagem do google













Cabelo duro enrolado de pueira
Essa pueira vermelha, que dispenca do sertão.
Pele queimada, torrada ao sol de agosto...
No rosto tinha um disgosto, que ninguém diz razão!
Calsa rasgada em farrapos se vestia, era mulambo encardido, que já pedia munturo...
Meio pelado, desnudo do mei pra cima...
A cintura sem camisa mostrava o peito peludo!
E feito cego no meio do tiroteio, a cabeça entre meneios tatiava sem noção!
Ali caído, de quatro engatinhava procurando pelo pito e a pinga no garrafão...
Olhos profundos penumbrados e sem destino!
Me olhava qual menino, que fitava o infinito! Não me inchegava, mas me olhando firmemente... De um jeito insistente e com um fungado esquisito...
Incomodando andei uns passos pra frente, bancando o indiferente eu não pude avançar... Eu fui me embora seguindo a vida afora...
Mas confesso aqui agora o que não posso negar!
Fiquei com ele naquele estado humilhante... Mesmo passando adiante, eu fiquei lá na estrada... E ainda hoje ainda sinto um arrepio...
Quando dele escuto o grito... “ETA vida desgraçada”!

Tão Ser Tal

Imagem do google











O ser tal quis ser tão ser, que a viver não se importou
O ser tal quis ser tão ser, que no sertão se embocou

Sendo o ser tal do sertão, ser tão tal ser tão temido
Fez o sertão desertar, deserto sertão querido

Querido se tão deserto, sem amor sem coração
Fez o seu ser, ser desgraça, nas faces agraciadas das veredas do sertão

O ser tal amor tornou de um tal ser amador
Mas amor não aprendeu, pois outro ser não amou

O ser tal não pode ser, o tal ser que ser se quis
Por que Pra ser no sertão, ser tal tem que ser feliz

E felicidade é tal, é tal ser sempre sertão
Ser tão eu ser tão você nas terras do coração
Sertão eu sertão você nas terras do coração

O ser tal amar virá quando vir amar o sertão
Pois amar é lua cheia abraçando a solidão...
O ser tal amar virá quando vir amar o sertão
Pois amar é lua cheia abraçando a solidão...

Cachaça

Imagem do google

A cachaça é companhia, que pouca gente dispensa
É amiga sem valor, rainha das desavença
Presente em toda festa, faz a cabeça do povo
Quem dela prova uma vez, pode crêr, que quer de novo

Dama de muitos amores é paixão de muitos donos
Quem por ela se apaixona
Acaba sempre na lona
No mais triste abandono...


É coisa muito engraçada a danada da cachaça
Se você vive sem ela acha a vida sem graça
Mas, se você bebe ela, vive uma contradição
Quer largar mas não consegue, passa a vida no balcão

Ora em pé, ora deitado
Sozinho ou acompanhado
Falta roupa e falta pão
Cachaça não falta não, pra quem vive embriagado...

Cachaça cai na barriga vai direto pra cabeça
Embaça as vista enrola a fala as pernas é que ficam bestas
O cabra anda balançando feito pendão de capim
Não caminha em linha reta, a sarjeta é seu fim...

Falo não por que não gosto, mas por ser conhecedor...
Já fui um dos seus amantes levei uma vida errante
Por causa do seu amor

Pra você agora eu deixo um recado bem sincero
O que aconteceu comigo pra nenhum de vocês eu quero
Não se deite com essa dama que é chamada de cachaça
Pois esse amor sempre termina, de modo muito sem graça

Seu beijo queima igual fogo
Mais é doce feito mel
Faz da vida, festa louca, mas depois deixa na boca
O triste amargo do fel.

Mandinga as Avessas


Arrisurvi fazer uma mandinga
Pá conquistá de veiz meu bem querê...
Ela num sabe que eu gosto dela e eu num tenho força pá dizê!

Fui na capanga de Tia Janurca e na cumbuca de erva preparada...
Do que eu achei peguei de tudo um pouco...
Pá vaze mandinga pra mulhê amada!

Amassei tudo e puis na lambiquêra... Dexei curti, mode ficá no ponto...
Era receita de Ti fulô papo, que si diz dotô em diversos pontos!

Quando chegou o dia da intrega, achei a dama na ocasião...
Sirvi pra ela a pinga preparada, certo que siria o dono do seu coração!

Mais a mandinga saiu pela culatra, ela também gostava de alguém...
Tomô corage tomando mandinga... E cheia da pinga foi buscá seu bem!!!

Arrevortado joguei a mandinga fora e Tia Janurca bem ansim me falô... Pois bem...
Todo covarde, tem medo de ter corage e no fim das contas fica sem ninguem!!!

Dona Tereza

Imagem do google


Dona Tereza, eu tenho tanto para te dizer...
Ah! Mas faz tanto tempo que a gente não se vê!
Eu sinto saudade, daqueles momentos que passei junto de ti...
Quando a lembrança pulsa no meu peito...
Não tem outro jeito me pego a sonhar!
E feito criaça cheio de esperança
nado nas lembraças pra gente se amar.
Ainda te flerto olhando o meu reflexo,onde sua imagem se faz refletir...
No espelho vejo seu olhar distante e sinto seu perfume exalar de mim!

Ah! Como seria te amar como antes, sermos bons amantes com o mundo sob os pés...
Hoje sou apenas alguém solitário, lembrando os dias que já mais não tenho...
Sou feito palavra presa em dicionário, por isso a saudade, vem molhar-me o cenho...

Desde que partistes nunca mais amei...
O porquê não sei, talvez parti também!
A velha conquista já não mais sacia...
E a boêmia não tem mais sentido!
Não sacia a alma e vem agrada o corpo...
Pense bem comigo, eu devo estar louco!
Louco de saudade amor veja bem...

Vou todos os dias na caixa de correio pra ver se encontro lá correspondências...
Uma noticia sua, pra me saciar... Para aplacar a sua triste ausência...

Tudo Com Você Vale a Pena

Imagem do google










Mas se fôr pra brigar, quebrar o pau se pegar...
Com você, eu brigo...

Mas se for pra sofrer, sem sossego a viver...
Com você, eu sofro...

Mas se for pra chorar, viver a prantear...
Com você eu choro...

Mas se for pra brigar, pra sofrer, pra chorar...
Com você, eu brigo, eu sofro, eu choro...

Só não da pra viver...
Pra chorar pra sofrer...
Só não dá pra ficar... Sem você!
Sem você não há vida...
Sem você não há nada...
Sem você sou um trapo... deixado na calçada!
Sem você meu viver é um grande vazio...
Nem brigar, nem sofrer, nem chorar, nem viver, sem você...
Nada mais faz sentido!!!

Santa Cecília

Imagem do google















Santa Cecília...
Rainha da música...
Padroeira do musico e senhora do cantador

Cantando a vida o amor e a amizade
Com um toque singelo de fé e de poesia...
Cantamos teu dia entoando nosso louvor

Ôh grande maestro
Senhor do universo
Regendo pra sempre a eterna canção sideral...
Que a música nossa...
Vestida de arte seja o estandarte de nossa libertação...
Trazendo pra terra o céu tão sonhado
Que pulsa guardado em cada coração!

Santa Cecília...
Rainha da música...
Padroeira do musico e senhora do cantador

Cantando a vida o amor e a amizade
Com um toque singelo de fé e de poesia...
Cantamos teu dia entoando nosso louvor


Nós te aplaudimos ôh sumo maestro por dar-nos o dom... Da música...
Imagem celeste repleta de graças
De todas as raças, em mais de um milhão de sons...
Nos ensine a cantar em plena harmonia
O amor melodia unidos num mesmo tom!

Um Giro Pelo Inferno










No inferno não tem politicagem
Não tem loby não tem politiqueiros
O sistema do diabocrático
E o presidente reina por inteiro

No inferno não existe favelas
Não tem puteiro não tem favelados
Pois o inferno é um grande condomínio
E o diabo é um sindico respeitado

No inferno não tem democracia
Tem diabocracia infernal
Não tem beligerância e nem economia
Não tem pressão interinfernal

No inferno não existe fronteiras
Não tem exercito e nenhuma instituição
O inferno é uma diabonarquia
È um exemplo de globalização

No inferno não tem variação lingüística
Todo mundo fala a língua padrão
Diabolês é a língua materna
Que todos falam com grande paixão

No inferno não tem monotonia
Pois no inferno todos são arteiros
Tem muita música, muita animação
Todo infernence já nasce maneiro

No inferno não existe pecado
Não tem religião e não tem pecadores
No inferno ano tem proibição
Se pode ate servir a dois senhores

Vá pro inferno não é maldição
È prece de quem conhece esse Brasil
Se Deus é de fato brasileiro
Então o inferno já se redimiu
Se Deus é de fato brasileiro
Então o inferno já se redimiu...

Modo De Olhar

Imagem google









Ela deixou seu olhar descansar sobre o meu
E desse encontro eu sei que o encanto nasceu.

Eu não sei como foi só sei que aconteceu
Nosso olhar se tocou e então derrepente; agente se percebeu...

Alguma coisa mudou no meu jeito de olhar... Pra ela!
Antes eu não percebia, não via a magia que tem nos olhos dela.

A emoção se inflama e ardendo em chamas
Só posso me entregar... O seu olhar tem o dom de encantar meu olhar!
Tem a força que faz... A guerra virar paz!!!

Basta um olhar... Pra gente se amar
E o universo em versos se tornar...
Explode o desejo... tudo vira, carinhos e beijos... Amor que sacia!

O seu olhar é meu chão e meu céu...
É meu pão é o calor que aquece e dá vida aos meus dias...

Insensatez














Eu quis dizer por tantas vezes mas você
Sempre fugindo nunca desejou me ouvir
Nós dois brincamos e acabamos por deixar
Que tudo isso chegasse até aqui

Ainda me lembro quando tudo começou
E como sempre convergia pra você
Éramos ponto convergente um do outro
Nossa paixão era algo lindo de se vê

Agora veja onde a gente se aportou
Nosso cruzeiro do amor não foi feliz
Tristeza, mágoa e indiferença é o que sobrou
Confesso não foi isso que eu sempre quis

Em algum ponto sei que a gente se perdeu
E tantas vezes desejei recomeçar
Você não quis e sei que não compreendeu
Que o que eu quis na vida foi sempre te amar

Agora é tarde decidi cuidar de mim
È mesmo o fim não adianta argumentar
Você não quis o amor sincero que te dei
Não adianta mais a gente se enganar

Meu coração já voa livre outra vez
O que eu sentia por você se desfez
Mas não se desculpe pois eu também fui culpado
Por insistir nessa tamanha insensatez

O Amor é a Razão















Vem...
Que o amor espera por nós dois
Não haveremos de chorar depois
E o Mesmo pranto um dia passará

Vê...
O amor só chama quem deseja amar
O infinito quer nos receber
Pro nosso sonho se realizar

Saiba...
Que o pôr do sol um dia vai chegar
E essa estrada irá se transformar
E um mundo novo então irá nascer

Só...
Quem renasceu pela força do amor
No novo mundo poderá entrar
E plenamente então se conhecer

Vem...
Olhe em meus olhos vê meu coração
Que ansioso pra te amar
Quer no amor contigo se encontrar

Vê...
Que os nossos sonhos estão em harmonia
Nossa união será a melodia
E nossa vida uma grande canção

Crêia...
Que se enfim um dia a dor chegar
Teremos um ao outro pra chorar
E o amor, que nos consolará

Mesmo...
Que a noite chegue e nos sintamos sós
Se nos amarmos o amor vive em nós
E será o sol a nos guiar

Só...
Só mesmo o amor pode nos preencher
Só com o amor vamos sobreviver....
Pois o amor é a razão de ser....

Capoeira no Sertão

















Berimbáu gemeu no sertão
Atabaque meu povo chamou
Nosso canto venceu as barreiras
Salve a Capoeira povo lutador...

Capoeira...
Capoeira...
Força que vence os feitores
Superando os horrores dos troncos e dos grilhões...

Capoeira...
Capoeira...
Suportando a tristeza e a solidão das senzalas... Feito perfume exala...
Conquistando corações...

Berimbáu gemeu no sertão
Atabaque meu povo chamou
Nosso canto venceu as barreiras
Salve a Capoeira povo lutador...

meu amigo Zeus













Quem diria meu amigo, meu amigo Zeus...
Quem diria meu amigo, meu amigo Zeus...

O fogo que esclarece e que é luz pra alma
Ele tirou do homem e o abandonou... Nas mãos da ignorância Sem perder a calma!

Quem diria meu amigo meu amigo Zeus... Se descobriu traído pelo prometeu...
Prometeu que era um amigo dos homens, também era um deus e era irmão de Zeus...
Tentou trazer pro homem um feixe de fogo o fogo que daria ao homem, ânimo novo

Quem diria meu amigo meu amigo Zeus... Puniu severamente o irmão Prometeu...
Lhe entregou de vez as aves de rapina ao homem ele mandou uma linda menina!
Criada por Hefesto e feita de argila, surgia a mulher chamada de Pandora...
Nela se condensava todos os dons dos deuses, desejos que aos homens, pobres mortais devora...

Quem diria meu amigo meu amigo Zeus...Casou bela Pandora com Epimeteu...
Como presentes a ele meu amigo Zeus, deu uma linda caixa que a tudo perdeu...
A curiosidade já matou um gato, o ditado existe e não é em vão...
Pandora curiosa abriu aquela caixa e muito assustada viu a escuridão...
Não da ingnorância, mas das calamidades, que ate hoje assolam esse nosso chão!!!!

Quem diria meu amigo meu amigo Zeus... No fundo da caixa somente restou...
Nossas utopias em pele de amor!!!
Quem diria meu amigo meu amigo Zeus...
Quem diria meu amigo meu amigo Zeus!!!

Best "A"

Imagem do google




Alô irmão alô Irmã
Deixe o busão vamos de vã!
Sapolândia sul e norte
Mete as caras compre a sua sorte... na Best "A"...

Vila União e Lagartixa
Vila Label e Articum
Boa Esperança e Oliveira
Aqui sempre cabe mais um...

Alô irmão alô irmã deixe o busão vamos de vã!
Pra quem tem pressa é bom a bessa...
Trabalhador anda de Best... Anda de Besta... Passa de Besta...

Besta pro Palácio... Besta pro patrão... Besta pro Congresso
Besta pra nação...
Alô irmão alô irmã deixe o busão vamos de vã!
Vamos Best "A"... De besta meu irmão..
Best "A", Best "A", Best "A"...

The Best of is my people!

Confusão

imagem google





Um dia eu confundi sexo com amor
E juro que gostei, meu Deus foi bom de mais
Tanta azaração só farra e curtição...
Mas, tudo passa um dia, tudo que vem vai

Nem tudo que é bom nessa vida faz bem
Nem tudo que balança é por que vai cair
Agente não sabendo o que a vida contém
Faz dela um grande porre pra se divertir

Amor de cama é quente mas é fogo de palha
Por mais que dure e queime acaba derrepente
Só amor de verdade é que é bom e faz bem
Só amor de verdade edifica a gente

Passou a curtição ficou só solidão
Foi bom mas não fez bem agora eu entendi
De coração vazio me sinto usado
A minha vida inteira pra mim eu menti

Agora eu procuro um amor de verdade
Que seja bom de cama e quente feito sol
Que traga cores pra vida e queime eternamente
Que me faça feliz da aurora ao arrebol.

Enquanto Houver Lembranças

Imagem do google














Quando tudo acabar e a saudade passar...
Não vou mais chorar!
Mas enquanto a lembrança bater e meu peito doer...
Vou querer ter você pra me amar!

Nosso amor foi a mais bela flor, que já desabrochou...
No jardim da minha vida!
Seu olhar foi meu sol e meu céu...
A doçura do mel, foi canção preferida...

Você, fez meu mundo brilhar, meu deserto florir,
Meu amor transbordar
Fez meu peito pedir, desejar e sonhar...

Seu adeus... Foi como um furacão, que passou e arrasou toda a cidade...
E assim é o meu coração cheio de solidão de amor e saudade!!!

Na luta por um grande amor... Eu não sou vencedor, pois perdi você...
Coração... Traz as marcas da dor,que seu adeus causou, mas por mais que eu tente
Não posso te esquecer!!!

Estrela do Amor

Imagen google










Quando os meus olhos tocaram, o céu desse seu olhar...
Eu vi a estrela do amor Seu rosto iluminar!
Vi a luz do seu sorriso... Suave a convidar...
A minha estrela carente, para de vez habitar...
Seu coração que vazio,
Forte bateu ao meu olhar!

E quando a gente se amou pela primeira vez...
Foi o amor mais gostoso que o meu corpo já fez...
Saciou corpo e alma, mente e coração...
Te amo intensamente e te amar eternamente...
É a fome... Da minha paixão

Apaixonado por você
Não quero mais outra paixão!
Meu céu, meu sol, estrela do meu amor...
Vida que pulsa em meu coração!!!

Apaixonado por você
Ah! Como é bom amar assim...
Meu céu, meu sol, estrela do amor...
Que brilha sempre dentro mim!

Tudo Por Amor

Imagem google








No deserto do meu quarto
Minha vida é um embaraço
Já não sei o que fazer...

Nesse tormento, eu já fiz de tudo um pouco
Já estou ficando louco
Longe do meu bem querer...

Meu Deus me diga como
Muda tanto a vida
Numa fração de segundo?

E derrepente, um amor que era eterno
Faz da vida um inferno
Um desencontro profundo...

Apaixonado, eu , chorando por ela,
Chamando por ela,
Sonhando com ela,
Onde ela andará?

Desesperado, eu vivo essa novela...
Eu meto pinga na goela,
Vendo a vida da janela,
Esperando ela voltar...

Inarmonia do Amor

imagem google


Vai... Pode ir...
O amor não mais está aqui
Não vejo mais no seu olhar
Brilhar a luz do sol do amor

Vai... Pode ir...
Não finjas mais pode partir
Pois se ficares só por pena
Aumentarás a minha dor...

Vai... Pode ir...
Pois estou certo que, nesse universo incerto, nada mais...
Se faz igual ao que sonhamos um pro outro e para nós!

Vai... Pode ir...
Pois nosso barco de amor, já naufragou e tens anseios de outros mares...
E eu bem sei não poderei singrar contigo nesses sonhos e desejos!


Vai... Pode ir...
Não finjas mais pode partir
Pois se ficares só por pena
Aumentarás a minha dor...

Senão Lembranças

Imagem do google














te pedindo pra ficar,
te pedindo pra não ir agora...
Se de algum modo algo valeu,
Em tudo aquilo que a gente viveu...
Não vá embora... Não vá embora!

Sorte só tem aquele que apostar,
Dê uma chance pra gente se acertar...
Pois só não erra quem não vive,
E se a dor fizer sofrer...
O pranto vem aliviar!

E se durar só um instante,
Sei não será por não tentar...
O seu olhar me diz que valeu a pena,
Nós juntos somos mais que os problemas...
Não mate a chama d’onde flui a esperança!

Se esta porta se fechar nada mais irá restar...
Senão lembranças, senão lembranças... Senão lembrança

Deifagia

Se a noite é uma criança
Então te cuida meu amor...
Pé do filia já ta no menu/ antropofagia é imoral aqui
Mas o lobo mal devasso e voraz...
Ele não tem pudor!
Já papou a vovozinha e o caçador
E até o chapéuzinho já caiu no pau!

Os heróis deífagos de além mar...
Comendo Deus menino, Deus menina....
Antropofagia indígena eles satanizaram
Para catequizar em regras latinas...
Nossa socite imoral, antiética/ poliestética
Analfabética cibernética hipocrisal...
Deifagia em ex ou em comunhão
Pé do filia, pé de frango é ritual!!!

A noite é uma criança te cuida meu amor
Pé do filia já ta no menu...
Antropofagia é via de regra aqui!!!